Deputado do MBL vira alvo de cassação após coagir ex a abortar filha; veja vídeo

Brasil – O cenário político na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) atingiu um novo nível de tensão nesta semana. O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), um dos principais nomes da nova safra do MBL (Movimento Brasil Livre), tornou-se alvo de um pedido formal de cassação de mandato. A representação baseia-se em uma denúncia gravíssima do Ministério Público de São Paulo (MPSP): violência psicológica e coação para que sua ex-companheira interrompesse a gestação.
A Denúncia: Pressão e Clínicas Clandestinas
Segundo os autos do processo, o parlamentar teria se aproveitado da “relação íntima de afeto” para pressionar sistematicamente a vítima a realizar um aborto. O documento do Ministério Público é incisivo ao descrever a conduta de Zacarias entre 2024 e o início de 2025.


O texto aponta que o deputado utilizou “discursos persuasivos”, minimizando os riscos de um procedimento ilegal e, de forma direta, sugerindo o uso de clínicas clandestinas. A promotoria sustenta que a conduta causou “intenso sofrimento psicológico” à mulher, amparando-se em provas técnicas:
“Pressionou psicologicamente (…) a interromper a gestação (…) sugerindo clínicas clandestinas, o que lhe causou intenso sofrimento psicológico (vide áudio juntado a fls. 06/07).”
O Áudio Revelador
Um dos pontos centrais da acusação é um áudio de quase um minuto atribuído ao deputado. Na gravação, a voz — identificada pelo MP como sendo de Guto Zacarias — tenta convencer a ex-companheira de que o procedimento em locais clandestinos seria “limpo” e seguro, citando inclusive localizações em bairros nobres de São Paulo:
🚨🚨URGENTE: gravação na íntegra mostra o deputado Guto Zacarias, do MBL, induzindo a companheira ao aborto pic.twitter.com/Z32ond6HwZ
— Willian Tavares 🇻🇦 (@WillianTavares9) April 3, 2026
“Não é o mais invasivo. Eu já falei para você é praticamente que é uma sucção (…), não tem sangue.”
“É feito nos Jardins com especialista na área.”
“Mano, não tem o menor risco de acontecer qualquer outra coisa porque não envolve o método invasivo, é algo absolutamente limpo.”
Reações e Defesa
O impacto político foi imediato. A deputada Paula da Bancada Feminista (PSOL) protocolou o pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar, argumentando que a conduta descrita é incompatível com a dignidade do cargo.
Por outro lado, Guto Zacarias adota uma postura de contra-ataque. Em suas redes sociais, o deputado classificou o caso como uma “perseguição política” e um “ataque canalha” orquestrado para prejudicá-lo em período eleitoral.
Surpreendentemente, a ex-companheira, Giovanna Pereira, também se manifestou publicamente em favor do deputado. Ela afirmou que “Guto nunca me forçou a nada” e que teria registrado a denúncia inicial “por impulso”, sob suposta orientação jurídica equivocada.
🗣️ Deputado estadual Guto Zacarias (SP) se pronuncia sobre acusação envolvendo suposta violência psicológica contra sua ex-companheira e publica vídeo com a própria ex-mulher para desmentir a informação.pic.twitter.com/7IN0aSB9uP
— République (@republiqueBRA) April 2, 2026
Próximos Passos na Alesp
Apesar do recuo da vítima, o Ministério Público mantém a denúncia com base nas provas materiais (áudios e mensagens). O Conselho de Ética da Alesp deve se reunir nos próximos dias para analisar a admissibilidade do processo. Caso avance, Zacarias poderá enfrentar desde uma suspensão temporária até a perda definitiva do mandato.
O caso coloca o MBL em uma posição delicada, uma vez que o movimento costuma adotar discursos de “lei e ordem” e moralidade pública, agora confrontados com uma investigação que envolve crime de coação ao aborto e exposição de uma mulher a procedimentos clandestinos de risco.








