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Deputado do MBL vira alvo de cassação após coagir ex a abortar filha; veja vídeo

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Deputado do MBL vira alvo de cassação após coagir ex a abortar filha; veja vídeo

Brasil – O cenário político na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) atingiu um novo nível de tensão nesta semana. O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), um dos principais nomes da nova safra do MBL (Movimento Brasil Livre), tornou-se alvo de um pedido formal de cassação de mandato. A representação baseia-se em uma denúncia gravíssima do Ministério Público de São Paulo (MPSP): violência psicológica e coação para que sua ex-companheira interrompesse a gestação.

A Denúncia: Pressão e Clínicas Clandestinas

Segundo os autos do processo, o parlamentar teria se aproveitado da “relação íntima de afeto” para pressionar sistematicamente a vítima a realizar um aborto. O documento do Ministério Público é incisivo ao descrever a conduta de Zacarias entre 2024 e o início de 2025.

O texto aponta que o deputado utilizou “discursos persuasivos”, minimizando os riscos de um procedimento ilegal e, de forma direta, sugerindo o uso de clínicas clandestinas. A promotoria sustenta que a conduta causou “intenso sofrimento psicológico” à mulher, amparando-se em provas técnicas:

“Pressionou psicologicamente (…) a interromper a gestação (…) sugerindo clínicas clandestinas, o que lhe causou intenso sofrimento psicológico (vide áudio juntado a fls. 06/07).”

O Áudio Revelador

Um dos pontos centrais da acusação é um áudio de quase um minuto atribuído ao deputado. Na gravação, a voz — identificada pelo MP como sendo de Guto Zacarias — tenta convencer a ex-companheira de que o procedimento em locais clandestinos seria “limpo” e seguro, citando inclusive localizações em bairros nobres de São Paulo:

“Não é o mais invasivo. Eu já falei para você é praticamente que é uma sucção (…), não tem sangue.”

“É feito nos Jardins com especialista na área.”

“Mano, não tem o menor risco de acontecer qualquer outra coisa porque não envolve o método invasivo, é algo absolutamente limpo.”

Reações e Defesa

O impacto político foi imediato. A deputada Paula da Bancada Feminista (PSOL) protocolou o pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar, argumentando que a conduta descrita é incompatível com a dignidade do cargo.

Por outro lado, Guto Zacarias adota uma postura de contra-ataque. Em suas redes sociais, o deputado classificou o caso como uma “perseguição política” e um “ataque canalha” orquestrado para prejudicá-lo em período eleitoral.

Surpreendentemente, a ex-companheira, Giovanna Pereira, também se manifestou publicamente em favor do deputado. Ela afirmou que “Guto nunca me forçou a nada” e que teria registrado a denúncia inicial “por impulso”, sob suposta orientação jurídica equivocada.

Próximos Passos na Alesp

Apesar do recuo da vítima, o Ministério Público mantém a denúncia com base nas provas materiais (áudios e mensagens). O Conselho de Ética da Alesp deve se reunir nos próximos dias para analisar a admissibilidade do processo. Caso avance, Zacarias poderá enfrentar desde uma suspensão temporária até a perda definitiva do mandato.

O caso coloca o MBL em uma posição delicada, uma vez que o movimento costuma adotar discursos de “lei e ordem” e moralidade pública, agora confrontados com uma investigação que envolve crime de coação ao aborto e exposição de uma mulher a procedimentos clandestinos de risco.


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