David Almeida comenta desistência de Wilson Lima e diz que decisão reflete fracasso da gestão
Manaus – Na tarde desta terça-feira (3), durante participação no programa Cileide Moussallem Entrevista, exibido pelo portal e TV CM7, o prefeito de Manaus e pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante), fez duras críticas à atual administração estadual, defendeu seu legado à frente da capital e afirmou que pretende construir “a maior parceria de Governo e Prefeitura da história do Estado” caso seja eleito em 2026.
Sem poupar críticas, David responsabilizou a gestão de Wilson Lima (União Brasil) por retrocessos administrativos e sociais.
“Não podemos brincar de escolher governador. Não dá pra arriscar novamente. Nós perdemos oito anos de gestão com Wilson Lima. A decisão dele de ficar é o reflexo do fracasso da gestão”, declarou.
Educação
Entre os pontos mais contundentes da entrevista, o prefeito criticou os indicadores da educação estadual, especialmente no ensino médio. Segundo ele, o desempenho do Governo do Amazonas estaria entre os piores do país, em contraste com os resultados do ensino fundamental administrado pelo município.
“Infelizmente o ensino médio do Governo do Amazonas é um dos piores do Brasil. Ao contrário do ensino fundamental do município”, afirmou, ao sustentar que a capital tem apresentado avanços na área sob sua gestão.
ICMS, emendas e abandono do interior
Outro eixo da conversa foi a arrecadação do ICMS, onde o prefeito afirmou que cerca de 90% do imposto é arrecadado em Manaus, mas questionou o retorno desses recursos à capital e aos municípios do interior.
“Cadê a parte das emendas dos deputados estaduais na capital amazonense? É uma arrecadação que não volta, nem mesmo para o interior”, criticou.
David também rebateu críticas recorrentes sobre a infraestrutura da capital, especialmente em relação aos buracos nas vias, e ampliou o debate para os demais municípios do Estado. Segundo ele, há uma cobrança concentrada em Manaus, enquanto os problemas estruturais do interior do Amazonas recebem pouca atenção e investimentos. Ele afirmou que não houve destinação de recursos para asfaltamento, para programas sociais como o “Prato do Povo” ou mesmo para a revitalização de praças nos municípios.
Na avaliação do prefeito, parte da classe política prioriza embates nas redes sociais em vez de contribuir de forma concreta com soluções para a população, optando por discursos de impacto na internet em detrimento de ações efetivas em benefício da cidade e do interior.
Projeto estadual e legado municipal
Ao projetar uma eventual candidatura ao Governo do Amazonas, David afirmou que precisa “ir para o Governo” para fortalecer a integração entre Estado e capital e ampliar investimentos no interior.
“Eu preciso ir para o Governo para fazer a maior parceria de Governo e Prefeitura da história do Estado, levar recursos justamente para o interior”, declarou. Ele também afirmou que deixaria a Prefeitura “em boas mãos”, citando o vice-prefeito Renato Júnior como sucessor natural em caso de afastamento para disputar o pleito.
Em resposta a questionamentos de moradores de Iranduba, sobre seu período como governador interino, David relembrou que, em 149 dias à frente do Executivo estadual, promoveu ações como asfaltamento e pagamento de abono a servidores. “Até 2017, nem os sindicatos sabiam que poderiam receber dessa forma. Agora os prefeitos pagam, os governadores precisam pagar”, afirmou.
Experiência
Encerrando a entrevista, o prefeito reforçou a narrativa de que sua experiência administrativa o credencia para ampliar a atuação para além da capital.
“Eu já cuido de mais da metade do Estado, que é a Prefeitura de Manaus. Agora eu quero cuidar do interior todo”, disse.
Ao relembrar sua trajetória no Legislativo, destacou mudança de posição institucional, mas não de postura. “Quando eu era do Legislativo, eu estava do lado do servidor. E agora que sou do Executivo, continuo defendendo o servidor, mas com responsabilidade fiscal.”
A entrevista marca mais um movimento de David Almeida na consolidação de seu nome para a disputa pelo Governo do Amazonas, em um cenário político que deve se intensificar nos próximos meses no Estado.


