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Crise na Saúde do AM: ALEAM libera R$ 42 milhões em emendas, mas profissionais amargam salários atrasados

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Crise na Saúde do AM: ALEAM libera R$ 42 milhões em emendas, mas profissionais amargam salários atrasados

Amazonas – Apesar do expressivo montante de quase R$ 42 milhões em emendas parlamentares destinadas à saúde do Amazonas apenas em 2026, os profissionais da área continuam enfrentando uma dura realidade com o recorrente atraso de salários. O levantamento, baseado nos dados de execução e pagamento do Fundo Estadual de Saúde (FES), expõe um forte contraste na gestão pública, visto que, enquanto recursos milionários são liberados para indicações de deputados estaduais, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) precisa intervir para apurar a falta de pagamento aos trabalhadores do setor e às empresas terceirizadas.

Os dados financeiros revelam que os pagamentos dessas emendas estão concentrados nas mãos de apenas cinco nomes que atuam ou atuaram recentemente na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). O ranking de destinação de recursos é liderado por Cristiano D’Angelo, com R$ 9,22 milhões, seguido por George Lins, com R$ 9 milhões. A lista também conta com o atual governador do Estado, Roberto Cidade, que empenhou R$ 8 milhões enquanto ainda exercia seu mandato no legislativo, além dos parlamentares Péricles (R$ 7,9 milhões) e Wilker Barreto (R$ 7,87 milhões).

A distribuição dessa verba milionária foi pulverizada entre diferentes municípios do interior, fortalecendo fundos municipais de saúde em um ano diretamente influenciado pelo calendário eleitoral. George Lins, por exemplo, garantiu R$ 3 milhões para o município de Tefé, com empenho e ordem bancária já liquidados. Já Roberto Cidade, antes de renunciar à Aleam em maio de 2026 para assumir o Governo do Estado, destinou R$ 3 milhões para Autazes e outros R$ 3 milhões para Manicoré. Embora os registros oficiais não apontem irregularidades na execução, a movimentação levanta o debate sobre as prioridades na aplicação do dinheiro público.

Enquanto as cifras das emendas chegam ao interior, a rede estadual de saúde segue sob o escrutínio rigoroso dos órgãos de fiscalização. No início de agosto, o MPAM convocou representantes do Governo do Estado para cobrar soluções referentes às graves denúncias de atrasos salariais de médicos e falhas na manutenção de serviços essenciais. Mesmo que não haja uma ligação administrativa direta entre a verba parlamentar e a folha de pagamento, o cenário evidencia um descompasso estrutural na atual gestão, onde o alto volume de investimentos descentralizados coexiste com a precarização dos profissionais que sustentam a saúde pública amazonense.


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