Brasília Amapá Roraima Ceará Pará |
Manaus
33º

Crime eleitoral: com camisa de campanha, Thaísa Cidade usa causa autista e programas do Estado para pedir votos ao marido

Compartilhe
Crime eleitoral: com camisa de campanha, Thaísa Cidade usa causa autista e programas do Estado para pedir votos ao marido

Manaus — Na disputa pelo Governo do Amazonas, a linha que separa a máquina pública do palanque eleitoral parece ter sido completamente apagada pela chapa governista. Com o governador Roberto Cidade (União Brasil) proibido pela Justiça Eleitoral de capitalizar politicamente em cima de entregas sociais, a primeira-dama, Thaísa Cidade, assumiu o papel de “candidata paralela”. Utilizando-se de populações vulneráveis, de pacientes aguardando cirurgias a mães de crianças autistas, Thaísa tem transformado ações de Estado, financiadas com dinheiro do contribuinte, em material de propaganda explícita para a reeleição do marido.

O episódio mais recente e contundente dessa manobra ocorreu em um evento direcionado ao atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em um vídeo que circula nas redes sociais, Thaísa Cidade aparece discursando para mães atípicas vestida, literalmente, com a camisa da campanha: uma blusa rosa estampada com o logotipo “CIDADE 44”.

No palanque, a primeira-dama faz o que a legislação eleitoral classifica como claro abuso de poder político: mistura a estrutura de assistência social do Estado com promessas de campanha. Após criticar ações judiciais da oposição que tentam barrar o uso eleitoreiro dos mutirões de saúde, Thaísa promete, em nome do governador, o aumento do Auxílio Estadual Permanente para R$ 250 e o pagamento em dobro para mães atípicas. A cena configura a apropriação de uma pauta sensível e de recursos estaduais para garantir a simpatia, e o voto, de famílias que dependem do suporte governamental.

Afronta direta à Justiça Eleitoral

A atuação ostensiva da primeira-dama ocorre à revelia de determinações judiciais recentes. No último dia 4 de setembro, a Justiça Eleitoral expediu uma liminar rigorosa proibindo Roberto e Thaísa Cidade de usarem o programa “Governo Presente” para promoção pessoal. A decisão impôs multa de R$ 20 mil para cada ato de descumprimento, vetando que secretários e a primeira-dama atribuíssem ao governador a autoria de bens custeados pelo Estado.

A ordem, no entanto, foi ignorada nas redes sociais. Em uma publicação no Instagram sobre o mutirão de saúde do SISREG, realizado no centro de convenções Vasco Vasques, Thaísa postou um vídeo abraçando pacientes que aguardavam na fila há anos, cravando na legenda: “esse é o trabalho do nosso gov @robertocidadeam”. A postagem é uma confissão documental da violação da tutela de urgência.

Máquina pública como produtora de conteúdo

O uso da estrutura do Estado vai além dos grandes eventos. Em outro flagrante de suposta conduta vedada, Thaísa utiliza veículos oficiais e a presença da Secretária de Estado das Cidades (SECT), Renata Queiroz, para realizar entregas “surpresa” de títulos definitivos de propriedade.

No vídeo publicado, a primeira-dama vai até a casa de uma moradora, entregando pessoalmente o documento oficial do Estado com ares de benfeitoria pessoal. O vídeo foi repostado pela própria conta pessoal do marido, Roberto Cidade, candidato ao Governo. A ação corrobora a denúncia apresentada pela campanha do adversário David Almeida (Avante), que apontou um gasto sem base legal de R$ 22 milhões em regularização fundiária no ano eleitoral.

O avanço da cassação

A turnê de inaugurações e mutirões protagonizada pela primeira-dama encontra lastro em um orçamento que sofreu inchaços inexplicáveis em 2026. Segundo a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) protocolada no TRE-AM, programas sociais tiveram saltos estratosféricos neste ano: o “Governo Presente” saltou 370%, e os gastos da Fundação Estadual dos Povos Indígenas (FEPIAM) registraram um aumento astronômico de 27.700%.

Para especialistas em direito eleitoral, a estratégia da campanha governista é de altíssimo risco. A combinação de aumento abrupto de gastos públicos, uso de servidores em horário de expediente, distribuição gratuita de bens em ano eleitoral e a superexposição da primeira-dama atrelando ações do Estado à chapa “44”, forma o tripé perfeito para a configuração de abuso de poder político e econômico.

Se as provas anexadas aos processos forem acatadas pela Justiça Eleitoral de forma definitiva, o desfecho pode ser severo: além de multas, a chapa de Roberto Cidade corre o risco real de cassação do registro ou do diploma e de inelegibilidade por 8 anos para os envolvidos, incluindo Thaísa Cidade e os secretários de Estado que participaram do suposto esquema.

Enquanto a Justiça analisa os fartos elementos de prova, a campanha governista segue apostando na superexposição, testando os limites da lei e utilizando a esperança de pessoas carentes como moeda de troca eleitoral.


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões Abaixo do Post


Carregar mais