‘Crime contra os aposentados’: Governo Wilson Lima está entre os 4 Estados que perderam dinheiro público com aplicações no Banco Master
Amazonas – O futuro da aposentadoria dos servidores públicos do Amazonas está sob uma sombra de incerteza e má gestão. Em um cenário onde a transparência deveria ser o pilar fundamental, o governo de Wilson Lima (União Brasil) emerge negativamente em um levantamento nacional: o Amazonas é um dos quatro estados brasileiros que autorizaram a aplicação de vultosas quantias de recursos públicos no polêmico Banco Master.
A decisão, que muitos especialistas classificam como uma temeridade administrativa, envolve cerca de R$ 50 milhões do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do estado. O que se apresenta como uma “estratégia de investimento” técnica esconde, na verdade, uma fragilidade política perigosa que coloca em risco o patrimônio acumulado por décadas pelos trabalhadores amazonenses.
O Clube dos “Quatro”
O Amazonas não está sozinho nesta lista, mas a companhia não traz alento. Ao lado do Distrito Federal (Ibaneis Rocha), Rio de Janeiro (Cláudio Castro) e Amapá (Clécio Luís), o governo Wilson Lima compõe um grupo que ignorou sinais de alerta para aportar recursos em uma instituição que hoje é alvo de graves denúncias de fraude e lobby.
Enquanto o Distrito Federal lidera o volume de aplicações, a inclusão do Amazonas revela uma diretriz de investimento que priorizou ativos de alto risco e baixa reputação institucional. Além do Amazonas, também realizaram aplicações os governos do Distrito Federal, sob Ibaneis Rocha (MDB), com R$ 12,2 bilhões; do Rio de Janeiro, governado por Cláudio Castro (PL), com R$ 970 milhões; e do Amapá, sob Clécio Luís (Solidariedade), com R$ 400 milhões. O volume expressivo de recursos evidencia que a relação com o banco não se limitou a uma única gestão ou região do país.
Embora o governo tente se blindar sob o argumento de que as decisões são tomadas por conselhos técnicos, a realidade política é mais direta. Os diretores e gestores dos fundos previdenciários são nomeações políticas do chefe do Executivo. No Amazonas, a influência de Wilson Lima sobre essas diretrizes é absoluta.
O uso do dinheiro da previdência para alimentar instituições sob investigação não é apenas um erro de cálculo; é uma irresponsabilidade que beira o criminoso. Quando um banco se torna centro de suspeitas de irregularidades, qualquer centavo de dinheiro público ali depositado torna-se um refém da sorte — ou da má-fé.
O Prejuízo no Horizonte
O impacto de uma eventual quebra ou bloqueio de ativos do Banco Master não será sentido nos gabinetes climatizados do Palácio da Compensa, mas sim na ponta final: no bolso do professor, do policial e do profissional de saúde aposentado.
A falta de zelo com o dinheiro público e a busca por articulações financeiras nebulosas deixam uma pergunta que o Governo do Estado ainda não respondeu: Por que o Banco Master? Em um mercado repleto de instituições sólidas e de baixo risco, a escolha por uma via cercada de polêmicas sugere que os interesses por trás das aplicações podem não ter sido estritamente financeiros.
A sociedade amazonense e os órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas (TCE-AM), precisam exigir não apenas explicações, mas uma auditoria profunda e imediata. O patrimônio do servidor não é moeda de troca para aventuras fiscais.
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