Contradição: Wilson Lima promete endurecer leis contra criminosos e esquece que teve três secretários presos durante sua gestão no AM

Amazonas – O ex-governador do Amazonas, Wilson Lima, tenta transformar o discurso de endurecimento das leis e de combate à criminalidade em uma das principais bandeiras de sua campanha ao Senado. Em vídeo nas redes sociais, afirma que “a polícia prende num dia, a Justiça solta no outro” e defende medidas mais severas contra criminosos, sem lembrar de um passado recente, que o envolve diretamente.
O discurso coloca o próprio histórico de Wilson no centro da cobrança. Durante os quatro anos em que comandou o Amazonas, três secretários estaduais de Saúde — Simone Papaiz, Rodrigo Tobias e Marcellus Campêlo — foram presos pela Polícia Federal em diferentes fases de investigações relacionadas à gestão da saúde, especialmente durante a pandemia da Covid-19.
A administração também ficou marcada pela crise do oxigênio, em janeiro de 2021, quando Manaus enfrentou o colapso no abastecimento do insumo hospitalar durante a segunda onda da pandemia. Hospitais ficaram sem oxigênio, e o Estado precisou recorrer a uma força-tarefa e até à mobilização de artistas para conseguir trazer o produto de outros estados, enquanto pacientes lutavam pela vida. Muitos, infelizmente, morreram sufocados.
O período também foi atravessado por investigações envolvendo contratos e compras emergenciais realizadas durante a pandemia. A chamada Operação Sangria, da Polícia Federal, atingiu integrantes da cúpula da Saúde e colocou a gestão estadual sob forte pressão justamente em uma das áreas mais sensíveis do governo Wilson Lima.
Na área financeira, o governo também acumulou compromissos e recorreu a operações de crédito de grande porte, com a desculpa de garantir investimentos na saúde, educação e segurança pública. No entanto, até o momento, a população não consegue enxergar melhorias nestes setores.
Agora, ao mirar uma cadeira no Senado, Wilson Lima tenta se apresentar como defensor de uma legislação mais rigorosa e de uma resposta mais dura contra criminosos. O problema é que o discurso atual inevitavelmente esbarra no histórico de uma administração marcada por crises, investigações, prisões de integrantes do primeiro escalão e forte desgaste na Saúde.
A candidatura ao Senado coloca Wilson Lima diante de uma questão simples: antes de prometer mudar as leis do país, o ex-governador terá de enfrentar as cobranças sobre o legado que deixou no Amazonas — das prisões de secretários à crise do oxigênio, passando pelas dívidas e pelos problemas que marcaram sua gestão.
Veja vídeo:


