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‘Continuidade ou retrocesso?’ o peso da herança de Wilson Lima na candidatura de Roberto Cidade; veja vídeo

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‘Continuidade ou retrocesso?’ o peso da herança de Wilson Lima na candidatura de Roberto Cidade; veja vídeo

Amazonas – Durante a convenção que oficializou sua candidatura ao Governo do Amazonas nesta terça-feira (4) , Roberto Cidade afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho realizado por Wilson Lima. A declaração, embora esperada diante da aliança política entre os dois, coloca o candidato diante de um desafio que vai muito além da disputa eleitoral: convencer o eleitor de que a continuidade representa um avanço e não a manutenção de problemas que marcaram uma das gestões mais controversas da história recente do estado.

Veja vídeo:

 

 

Toda eleição é  uma escolha entre manter um caminho ou promover mudanças. Ao optar pelo discurso da continuidade, Roberto Cidade assume, inevitavelmente, também o legado do governo que ajudou a sustentar politicamente.Esse legado traz episódios que dificilmente serão esquecidos pelos amazonenses.

O mais marcante deles foi a crise do oxigênio durante a pandemia de Covid-19. Em janeiro de 2021, pacientes morreram asfixiados em hospitais de Manaus após o colapso no abastecimento de oxigênio, a tragédia ganhou repercussão internacional e transformou o Amazonas no símbolo da maior crise sanitária da história do Brasil. O episódio gerou investigações conduzidas pela CPI da Covid no Senado, além de apurações por órgãos de controle e pelo Ministério Público.

Além da pandemia, a administração Wilson Lima enfrentou várias denúncias envolvendo contratos públicos, operações policiais e investigações relacionadas ao uso de recursos estaduais. Embora nem todas tenham resultado em condenações judiciais, o número de questionamentos contribuiu para desgastar a imagem do governo perante a população.

Na área da saúde, atrasos em pagamentos a fornecedores e profissionais foram frequentes ao longo dos anos. Em diferentes momentos, médicos, enfermeiros e demais categorias denunciaram falta de repasses, ameaça de paralisações e dificuldades para manter o atendimento na rede pública.

Campanhas políticas costumam ser definidas menos pelas realizações administrativas e mais pela percepção construída na memória do eleitor. E, nesse sentido, a gestão Wilson Lima ainda convive com um grande desgaste.

Ao apoiar a continuidade, Roberto Cidade deixa de ocupar o espaço do candidato da renovação. Em vez de apresentar um projeto novo, passa a responder por decisões que não foram tomadas por ele, mas que fazem parte do governo que escolheu defender.

A continuidade pode representar estabilidade quando o governo é amplamente aprovado. Mas também pode significar carregar o peso de uma gestão marcada por episódios que permanecem vivos na memória dos amazonenses.

No fim das contas, a eleição poderá responder a uma pergunta simples: o eleitor amazonense deseja continuar a história iniciada por Wilson Lima ou acredita que chegou a hora de escrever um novo capítulo?


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