Com placar arrasador de 9 a 0, STJ volta hoje a decidir recurso que define o futuro de Wilson Lima após a Operação Sangria

Brasil — O Superior Tribunal de Justiça (STJ) retoma e encerra nesta terça-feira (8) o julgamento que define quem terá a caneta na condução do processo contra o ex-governador do Amazonas, Wilson Lima. E o cenário para a defesa não poderia ser mais desanimador: com um placar de 9 votos a 0 pela rejeição dos recursos, a tentativa de manobra jurídica do ex-mandatário já foi matematicamente esmagada.
O foco da votação de hoje não é a condenação ou absolvição de Lima pelo suposto desvio na compra de respiradores na pandemia, mas sim uma “guerra de bastidores” para escolher o juiz do caso.
A estratégia da defesa era clara: afastar a ministra Nancy Andrighi, relatora atual e que já proferiu votos duros contra o ex-governador no passado, e transferir o processo para o colo do ministro Raul Araújo, que já havia concedido decisões favoráveis a Wilson em outras ocasiões.
O plano, no entanto, sofreu um revés irônico. O próprio Raul Araújo, a quem a defesa queria entregar a relatoria, não só rejeitou o pedido como argumentou que a ação penal deve, obrigatoriamente, continuar nas mãos de Nancy Andrighi por falta de fundamento jurídico para a troca. Seu voto puxou a fila de uma rejeição unânime até agora.
O que está em jogo hoje
Faltando apenas três votos para a conclusão da sessão virtual da Corte Especial, o STJ oficializa hoje a permanência de Andrighi no comando do processo.
Embora o revés de 9 a 0 não signifique prisão ou perda de direitos políticos neste momento, ele representa uma derrota estratégica gigantesca para o ex-governador. Ao não conseguir tirar o caso das mãos de uma ministra considerada “linha-dura”, a defesa de Wilson Lima sabe que os próximos passos da Operação Sangria tramitarão em um terreno muito mais hostil.
O tribunal tem até as 23h59 desta terça-feira para recolher os votos restantes e carimbar a decisão definitiva sobre o andamento do processo.

