Caso Suzi: mãe atípica recebe solidariedade na CMM após reportagem do CM7; “Nenhuma mãe merece passar por uma situação como essa”; vídeo

Manaus – Após a denúncia vir à tona por meio de uma reportagem do Portal e TV CM7 Brasil, o caso da fisioterapeuta e mãe atípica Suzi, agredida em um shopping de Manaus, ganhou forte repercussão na Câmara Municipal de Manaus (CMM) na última segunda-feira (3). Parlamentares prestaram solidariedade à família e realizaram um minuto de silêncio, repudiando a violência e a intolerância sofridas por ela enquanto tentava acolher seu filho autista durante uma crise.
Momentos de terror no shopping
Suzi, que é mãe de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), relatou os momentos de desespero que viveu no espaço infantil do centro de compras. A família aguardava o horário de uma sessão do novo filme do Homem-Aranha quando Alan Miguel começou a apresentar sinais de desregulação, incomodado com os gritos de outra criança. Ao perceber a iminência de uma crise, a mãe entrou no brinquedo, retirou o filho e iniciou exercícios de respiração para tentar acalmá-lo.
Foi durante a saída do espaço que a situação tomou contornos violentos. Segundo o relato da mãe ao CM7, uma mulher atingiu Alan Miguel e o chamou de “louco”. Ao tentar explicar que a criança era autista, Suzi afirma que foi atacada por duas mulheres sem que houvesse qualquer chance de diálogo. A confusão escalou com a participação de um homem, que teria segurado o pescoço da vítima, provocando-lhe falta de ar.
Em meio ao pânico e desregulado, Alan Miguel correu para fora da área recreativa, enquanto o outro filho de Suzi permanecia em um brinquedo. A mãe, que relatou não ter recebido auxílio imediato da segurança do shopping e ter sido amparada apenas por uma bombeira civil, sofreu mordidas, hematomas pelo corpo e fraturou um dos dedos. Agora, ela aguarda encaminhamento pela rede pública de saúde e pode precisar passar por cirurgia.
Repercussão no Plenário da CMM
A gravidade do caso, que afasta a fisioterapeuta de suas atividades profissionais por cerca de dois meses, gerou indignação entre os vereadores de Manaus. A vereadora Thaísa Lippy (União Brasil) levou o tema ao plenário e ecoou a dor de Suzi.
“Nenhuma mãe merece passar por uma situação como essa. Sabemos que as famílias de crianças atípicas enfrentam desafios diários, lutam para conseguir um laudo, para garantir um mediador escolar e assegurar direitos básicos. E, justamente em um momento de maior vulnerabilidade, quando a criança entra em crise, essa mãe foi vítima de violência, quando deveria ter sido acolhida”, declarou Lippy.
O vereador Eurico Tavares (PSD) também cobrou respeito, classificando a agressão como “deplorável” e destacando o duro impacto financeiro que a lesão trará para a mãe, que é arrimo da família. “Quem agride uma mãe atípica agride uma família inteira. E nós não podemos aceitar isso em silêncio”, cravou o parlamentar. Em solidariedade, os vereadores fizeram um minuto de silêncio na Casa Legislativa.
Consequências emocionais e o apelo por inclusão
Além das marcas físicas, a barbárie deixou profundas cicatrizes emocionais. Suzi revelou que Alan Miguel chegou a se culpar pela violência sofrida pela mãe, precisando ser acompanhado por psicólogos para entender que não teve culpa pelo episódio.
A dor da família foi agravada pelo tribunal da internet. Com a repercussão do caso, comentários preconceituosos surgiram nas redes sociais afirmando que o menino “não deveria frequentar shoppings”.
Apesar do abalo físico e psicológico, Suzi mantém a firmeza e deixa um apelo emocionante a outras mães atípicas, defendendo o direito de seus filhos existirem em sociedade:
“Não prendam seus filhos dentro de casa. Eles têm o direito de ir e vir como qualquer cidadão.”
Investigações
O caso foi registrado e está sendo investigado pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A família de Suzi informou que vai solicitar as imagens das câmeras de segurança do shopping para esclarecer a dinâmica das agressões e identificar todos os envolvidos.
Até o momento, a versão das outras pessoas citadas na confusão não foi apresentada. O espaço permanece aberto para a manifestação do estabelecimento comercial e dos demais envolvidos.

