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Caso Banco Master: PF omite do STF conteúdo de 52 celulares apreendidos há três meses

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Caso Banco Master: PF omite do STF conteúdo de 52 celulares apreendidos há três meses

Brasil — A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema bilionário de fraudes no Banco Master, já ultrapassa três meses sem que o Supremo Tribunal Federal tenha acesso a provas cruciais. Até o momento, a corporação não compartilhou com a Corte o conteúdo extraído de 52 celulares apreendidos durante as diligências, gerando um impasse institucional entre as autoridades responsáveis pela apuração e o tribunal que relata o caso.

O atrito se agravou porque, enquanto os dados telefônicos permanecem retidos, a direção da Polícia Federal elaborou um relatório de cerca de 200 páginas focado no ministro Dias Toffoli, que foi o relator do inquérito até meados de fevereiro. O documento mapeou supostos contatos entre o magistrado e pessoas ligadas ao banco, mas não apontou a comissão de nenhum crime. Em uma reunião reservada, os ministros do STF rejeitaram o documento por unanimidade, classificando-o como ilegal e definido pelo ministro Flávio Dino como um “lixo jurídico”, uma vez que a investigação de uma autoridade com foro privilegiado exige autorização judicial expressa.

O relatório, que teria sido preparado com o conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, argumentava que a proximidade de Toffoli com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, impediria a isenção do ministro para julgar o caso. Como indício, a PF citou a presença de Toffoli em um evento patrocinado pelo banco em Londres, ignorando o fato de que o próprio diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também participou do mesmo encontro como convidado. Apesar de considerarem a atitude do diretor uma transgressão, os magistrados decidiram não aplicar punições. Atualmente, a relatoria do caso está com o ministro André Mendonça, que também segue sem acesso aos dados dos celulares.

Entre os aparelhos cujos conteúdos estão destrancados e em posse da PF desde a primeira fase da operação, deflagrada em novembro de 2025, estão os de quatro ex-executivos do Banco de Brasília. O BRB foi o principal alvo das vendas de carteiras de crédito falsas do Master, em um montante que chegou a 12,2 bilhões de reais. No celular do ex-presidente do banco estatal, Paulo Henrique Costa, que forneceu sua senha voluntariamente, há mensagens de Vorcaro detalhando tratativas com o Banco Central e conversas realizadas dentro do Palácio do Planalto, inclusive com o presidente Lula. Mesmo com o material 100% aberto, a corporação policial escolheu não repassá-lo ao Supremo.

Durante as apurações, negócios envolvendo familiares de ministros do STF vieram à tona, embora os magistrados não sejam investigados na operação. O cunhado de Vorcaro comprou uma participação em um resort da família de Toffoli no Paraná em 2021, negócio que foi desfeito antes do escândalo e declarado legal pelo ministro à Receita Federal. Além disso, a Procuradoria-Geral da República arquivou um pedido de investigação sobre um contrato de 131 milhões de reais firmado entre o Banco Master e a esposa do ministro Alexandre de Moraes, concluindo não haver ilicitudes. Em meio a isso, revelou-se que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu mensagens de Moraes sobre o caso e foi aconselhado por Lula a guardá-las, embora negue ter sofrido pressões da Corte.

Originada de um pedido do Ministério Público Federal para apurar a circulação de ativos podres no mercado financeiro, a operação já resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master, do Will Bank e do Banco Pleno pelo Banco Central. Na primeira fase das investigações, bens de luxo como um avião de 200 milhões de reais, obras de arte e dinheiro em espécie foram apreendidos para garantir o ressarcimento aos cofres públicos. Todos os sete investigados presos preventivamente ou temporariamente no início da operação, incluindo o fundador Daniel Vorcaro, já respondem às acusações em liberdade.


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