Candidatura de Pablo Marçal mira Renan Santos e joga partido Missão ao lado do PT; veja vídeos

Brasil – A campanha presidencial de Pablo Marçal (PRTB) em 2026 vem sendo marcada por uma estratégia de guerrilha digital e retórica incendiária. Nos últimos dias, o candidato intensificou os ataques aos seus oponentes na direita, mirando especificamente em líderes como Renan Santos e o Movimento Brasil Livre (MBL), que agora articulam o recém-criado partido Missão.
Em vídeos recentes que circulam amplamente nas redes sociais, Marçal tenta colar a imagem do MBL ao Partido dos Trabalhadores (PT). Ele acusa o grupo de ser “laranja” e os classifica como os verdadeiros “criadores do movimento Bora Lula”, em uma clara alusão ao fato de o movimento ter pregado o voto nulo nas eleições passadas. “Como que um abençoado que não paga R$ 500.000 de imposto, tá atrasado, vai destruir dois movimentos de 50 milhões de brasileiros cada? O cara não tá mirado em nada… Se vocês acordarem pra realidade, vocês só precisam atacar a única coisa que tá atrapalhando o Brasil”.
A tática de desconstrução moral não se limitou ao campo político. Em outra gravação, Marçal desferiu ataques pessoais (ad hominem) contra um de seus adversários, chamando-o de “disfuncional para a sociedade”. “É um menininho de papai, né? Tem que pagar os impostos, tá devendo… Ele precisa arrumar um menino, uma criança, pra ter uma bronquite, pra ele pegar a fila de um hospital”, declarou o candidato do PRTB, adotando um tom de deboche.

Questionado sobre as críticas de que sua candidatura seria apenas “folclore”, Marçal dobrou a aposta com uma ameaça irônica, direcionada ao debate marcado na TV Bandeirantes: “O Saci Pererê vai te pegar, moleque!”. A postura bélica é complementada por materiais de campanha não oficiais que retratam Marçal como o personagem Homelander, o vilão superpoderoso da série The Boys, acompanhado da frase “Nivelei o jogo” — uma apropriação estética que visa consolidar sua imagem de “anti-herói” indomável pelo sistema.
O Contra-ataque Institucional: Cerco do TSE
No entanto, enquanto Marçal tenta ditar as regras do jogo nas redes, a realidade jurídica de sua campanha sofreu um abalo significativo nesta quinta-feira (20). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, proibir a participação do candidato em debates e no horário eleitoral de rádio e TV. A Corte também determinou a suspensão do acesso de Marçal aos fundos eleitoral e partidário.
Resumo da Decisão do TSE
A medida cautelar acatou um pedido da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), que visa negar definitivamente o registro da candidatura de Marçal. A relatora do caso, ministra Estela Aranha, justificou que é imperativo proteger os recursos públicos e os meios de propaganda eleitoral de uma candidatura que se apresenta “juridicamente inviável pela provável ausência de condição de elegibilidade”.

A PGE sustenta a impugnação da candidatura de Marçal baseada em dois pilares. O primeiro diz respeito a uma grave condenação eleitoral. Marçal foi punido pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por uso indevido dos meios de comunicação nas eleições municipais de 2024, quando tentou a Prefeitura de São Paulo. Naquela ocasião, sua campanha ofereceu prêmios em concursos para estimular a criação e disseminação de vídeos a seu favor nas redes. Por esse motivo, ele se encontra inelegível por oito anos — punição válida até outubro de 2032.
O segundo obstáculo levantado pela Procuradoria refere-se a irregularidades em sua filiação partidária. Embora tenha registrado sua candidatura pelo PRTB, documentos do TSE demonstram que Marçal estava filiado ao União Brasil até março de 2026, muito além do prazo legal exigido de seis meses de filiação. A PGE anexou aos autos entrevistas em que Marçal declarava explicitamente: “Eu sou do União”, após o fechamento da janela partidária.
Apesar de Marçal ter conseguido recentemente uma liminar controversa que reconhecia retroativamente sua filiação ao PRTB desde o dia 4 de abril, a PGE contesta a manobra e pede o indeferimento imediato do registro. O TSE tem até o dia 14 de setembro para julgar definitivamente o caso, sob o olhar atento dos demais candidatos de direita, que já avaliam herdar o espólio digital do ex-coach caso a impugnação se confirme.


