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Candidato Renan Santos promete guerra contra facções, desfavelização e descumprimento de decisões do STF, caso sejam ilegais; veja vídeo

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Candidato Renan Santos promete guerra contra facções, desfavelização e descumprimento de decisões do STF, caso sejam ilegais; veja vídeo

Brasil – O candidato à presidência da República nas eleições de 2026 pelo partido Missão, Renan Santos, detalhou sua plataforma de governo em entrevista ao Jornal Nacional na última quarta-feira (26), conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. Durante a sabatina, o candidato abordou os pilares de seu plano governamental, defendendo o desenvolvimento de um arsenal nuclear brasileiro, a declaração de uma guerra estruturada ao crime organizado, o descumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerar estritamente ilegais e um drástico ajuste de gastos públicos atrelado a metas gerenciais de prefeitos e governadores.

Soberania e a Construção de uma Bomba Atômica

Questionado sobre a prioridade declarada de desenvolver uma bomba atômica no Brasil em meio a um cenário global de guerras e incertezas, Renan Santos argumentou que o mundo vive o colapso do pacto pós-Segunda Guerra Mundial e enfrenta uma intensa reconfiguração geopolítica marcada pela ascensão da China e a consolidação de blocos como o BRICS. Na visão do candidato, para que o Brasil se posicione como uma das cinco maiores nações globais nos próximos 30 anos e obtenha assento no Conselho de Segurança da ONU, é imperativo deter soberania militar e poder de dissuasão nuclear, protegendo suas riquezas naturais.

Santos destacou que o país possui as segundas maiores reservas globais de terras raras, minerais essenciais para a indústria bélica americana — exemplificando que a construção de um jato F-35 exige meia tonelada do material —, o que forçaria os Estados Unidos a negociarem parcerias soberanas com o Brasil. Indagado sobre impedimentos da Constituição Federal e tratados internacionais, Santos foi categórico ao afirmar que o país deverá, no momento oportuno, se retirar do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Guerra ao Crime Organizado e o “Direito Penal do Inimigo”

No campo da segurança pública, o candidato do Missão prometeu recuperar, no prazo de um ano, todos os territórios dominados por facções criminosas no país, libertando cerca de 40 milhões de brasileiros que vivem sob a influência direta ou indireta de tais grupos. César Tralli relembrou a intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018, que custou R$ 1,2 bilhão e não conseguiu conter a expansão territorial do crime. Renan Santos explicou que o fracasso das ocupações anteriores, a exemplo das UPPs, ocorreu pela falta de um arcabouço legal que garantisse a manutenção das prisões.

O presidenciável propõe a adoção do “direito penal do inimigo”, alterando o Código de Processo Penal e a Lei de Execuções Penais para tratar membros de facções como entes anômalos submetidos a um regime prisional diferenciado. O plano prevê a atuação primária das polícias, o uso subsidiário das Forças Armadas e a construção de dez megapresídios de 30 a 40 mil vagas, com custo inicial estimado em R$ 6 bilhões.

A jornalista Renata Vasconcellos traçou paralelos entre essas propostas e as políticas de exceção do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que acumula denúncias de tortura, prisões sem mandado e violações do devido processo legal. Santos rechaçou as acusações de que promoveria prisões arbitrárias ou tortura patrocinada pelo Estado, alegando que os próprios traficantes já torturam e matam milhares de inocentes cotidianamente. Ao ser lembrado de declarações prévias sobre “matar quem roubar” e promover um “banho de sangue”, o candidato afirmou que a força letal é a resposta devida contra agressores armados, citando o recente caso de um rapaz assassinado com um tiro na cabeça enquanto tentava defender a namorada de um assalto na rua.

Atrito com o STF e Direito ao Voto

A relação institucional com o Judiciário também foi alvo da sabatina. O candidato reafirmou a declaração de que, se eleito, se recusará a cumprir decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal que julgar ilegais ou que coloquem a vida da população em risco, apoiando-se no parecer jurídico da Advocacia Geral da União (AGU). Ilustrou seu raciocínio criticando uma recente decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a quebra do sigilo de fonte jornalística no Maranhão, classificando a medida como “grotesca” e inconstitucional, equiparável à decretação de pena de morte.

Os âncoras confrontaram o candidato com declarações polêmicas de Orlando Lima, formulador central de seu plano de governo, que sugeriu retirar o direito ao voto de pessoas sem propriedade e que recebem auxílio estatal. Renan Santos discordou abertamente da ideia, tratando-a como uma infeliz opinião isolada do pesquisador, reiterando sua formação e compromisso vitalício com o Estado Democrático de Direito e com o repúdio a movimentos golpistas.

Mulheres na Política e Violência de Gênero

O baixo índice de filiação feminina ao partido Missão, estacionado em 8% perante uma média nacional partidária de 46%, gerou questionamentos. A bancada recordou os áudios machistas proferidos em 2022 por Arthur do Val na Ucrânia, aliado próximo de Santos. O presidenciável considerou a declaração do ex-deputado ruim e inadequada, ponderando contudo o aspecto privado do áudio, e negou que este seja o fator de afastamento feminino. Para Santos, a disparidade numérica se deve à violenta perseguição direcionada às lideranças femininas de seu campo político. Ele citou o sequestro de familiares de Amanda Vettorazzo e a disseminação de montagens pornográficas difamatórias (deepfakes) contra ela, além da cassação imotivada de uma vereadora eleita no interior de Minas Gerais.

Sobre a ausência de políticas federais específicas contra o feminicídio e a violência infanto-juvenil no plano governamental, o candidato esclareceu que a formulação e execução dessas ações pertencem aos estados e municípios. O governo federal atuará mediante a “Lei de Responsabilidade Gerencial”, vinculando o repasse de verbas da União a prefeitos e governadores de acordo com o batimento de metas de redução de violência contra a mulher e melhoria de indicadores do IDEB e SAEB.

Economia, Meio Ambiente e Desfavelização

No campo econômico, Renan Santos prega a necessidade de um ajuste fiscal profundo, com a meta de economizar R$ 1,1 trilhão em cinco anos para desacelerar o endividamento do país. As medidas, que ele próprio adjetivou como impopulares e dolorosas, englobam a desindexação de benefícios, a quebra das vinculações orçamentárias constitucionais nos pisos da saúde e da educação e a execução de uma nova reforma da previdência. Segundo o candidato, apenas a eliminação da “mamata” nos três poderes fará sobrar verba para abater juros e investir massivamente na infraestrutura produtiva.

Diante da cobrança a respeito da falta de um eixo voltado às mudanças climáticas e desastres naturais que afetam as cidades brasileiras anualmente, o presidenciável explicou que o problema não reside na ausência de diretrizes. Ele argumentou que governadores e prefeitos já possuem os mapas e projetos de mitigação em áreas de risco; no entanto, essas ações jamais saem do papel devido ao colapso financeiro do Estado. Sua aposta é que o rigoroso corte de gastos financiará tanto as obras de adaptação estrutural quanto um audacioso “Plano Nacional de Desfavelização”, voltado a transferir populações vulneráveis de encostas para moradias dignas. Em seu apelo final, Renan Santos destacou o Nordeste como a futura locomotiva econômica do país e exortou o eleitorado a abandonar os desgastados projetos políticos de Lula e Bolsonaro em prol de uma verdadeira reconstrução nacional.


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