Câmara dos Deputados cobra explicações sobre suposta base chinesa no Brasil
Brasil – A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (3), um requerimento para que o Ministério da Defesa esclareça informações contidas em relatório do Congresso dos Estados Unidos que aponta a existência de uma possível estrutura chinesa com potencial uso militar em território brasileiro.
O pedido foi apresentado pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), presidente do colegiado. Ele solicita detalhes sobre o chamado “Tucano Ground Station”, citado em documento divulgado em Washington, capital dos Estados Unidos (EUA), no último dia 26 de fevereiro.
Segundo o parlamentar, o relatório do Comitê Seletivo da Câmara dos EUA sobre Competição Estratégica entre Estados Unidos e Partido Comunista Chinês analisa a expansão da infraestrutura espacial chinesa na América Latina. A avaliação dos congressistas norte-americanos é de que projetos civis e comerciais poderiam servir de base para ampliar a chamada Consciência de Domínio Espacial do Exército de Libertação Popular da China.
No caso brasileiro, o documento menciona a Estação Terrestre de Tucano como resultado de um acordo firmado em 2020 entre a empresa brasileira Ayla Nanossatélites e a chinesa Beijing Tianlian Space Technology. A estrutura estaria localizada na Bahia, mas o relatório afirma que a localização exata não é pública.
O texto também cita a criação de um laboratório conjunto de radioastronomia na Serra do Urubu, formalizado em 2025 por meio de parceria entre o Instituto de Pesquisa em Comunicação de Redes de Ciência e Tecnologia Elétrica da China (CESTNCRI) e as universidades federais de Campina Grande (UFCG) e da Paraíba (UFPB). Para os autores do relatório, iniciativas desse tipo podem ter aplicações de uso duplo, com intenções civis e militares.
Relatório dos EUA aponta expansão estratégica chinesa
O documento norte-americano aponta ao menos 10 instalações ligadas à China em cinco países da América do Sul, associando os projetos às políticas de Fusão Civil-Militar e mobilização de defesa adotadas por Pequim.
Ao justificar o requerimento, Luiz Philippe afirmou que, diante das possíveis implicações para a soberania nacional, é necessário que o Ministério da Defesa preste esclarecimentos formais. Até o momento, o governo brasileiro não confirmou a existência de qualquer base militar estrangeira no país.



