Cadê o ‘Salve a Amazônia’?: fumaça sufoca Manaus e escancara a hipocrisia de políticos e famosos que sumiram de cena
Manaus – Manaus amanheceu novamente tomada por uma densa camada de fumaça nesta sexta-feira (9), e o cenário trouxe de volta uma pergunta que vem ganhando força nas redes sociais: onde estão os políticos, artistas e influenciadores que, em outros momentos, transformaram a defesa da Amazônia em campanha nacional? A cobrança reaparece enquanto moradores da capital enfrentam baixa visibilidade, cheiro de queimado e sucessivos dias de qualidade do ar comprometida.
Os números mostram que o problema está longe de ser apenas impressão de quem olha pela janela. Entre 1º e 7 de outubro, o Amazonas registrou 644 focos de calor, contra 277 no mesmo período de 2025, crescimento de 132,5%.
No acumulado do ano até o dia 7, foram 6.901 registros, quase o dobro dos 3.559 contabilizados no período equivalente do ano passado. Estações de monitoramento também apontaram qualidade do ar entre “muito ruim” e “péssima” em diferentes pontos do estado. Ministério Público de Contas do Amazonas
A lembrança inevitavelmente voltou para 2021, quando mais de 30 artistas participaram da “Canção pra Amazônia”, iniciativa do Greenpeace e da Relicário Produções. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Iza, Nando Reis, Péricles, entre outros nomes, emprestaram voz e imagem à campanha ambiental, que criticava desmatamento, garimpo e políticas do então governo Jair Bolsonaro.
Segundo o próprio Greenpeace, os participantes não receberam cachê.
Agora, com a fumaça novamente invadindo Manaus, internautas passaram a cobrar a mesma mobilização pública. O que fica sugerido, o que aparenta, é que todos estejam em silêncio apenas porque uma campanha semelhante não voltou a ganhar a mesma repercussão nacional.
Também não é correto dizer que não exista qualquer atuação do Governo Federal. O Ibama publicou medidas voltadas a propriedades rurais de municípios amazonenses considerados críticos para incêndios e mantém brigadas federais autorizadas em cidades como Humaitá, Lábrea, Barreirinha e Nova Olinda do Norte.
A questão que permanece e que órgãos de controle também passaram a levantar é se as ações adotadas por todas as esferas de governo estão sendo suficientes diante da dimensão da crise. Serviços e Informações do Brasil
Enquanto o debate político corre de um lado para o outro, quem não pode esperar é a população. A fumaça não pergunta quem está no governo, qual partido venceu a eleição ou qual artista fez campanha no passado.
Manaus continua respirando um ar comprometido, e a Amazônia continua exigindo fiscalização, prevenção e combate aos incêndios com a mesma cobrança, seja qual for o ocupante do poder.




