“C de Cara de Pau!”: Marcos Rotta e Tadeu de Souza viram cabos eleitorais de luxo de Roberto Cidade; vídeo

Amazonas – Não há mais vergonha, decoro ou sequer a preocupação de disfarçar o oportunismo. O que os feeds e as ruas de Manaus testemunham é o show explícito de como a lealdade na política amazonense tem a consistência de fumaça: Tadeu de Souza e Marcos Rotta, devidamente uniformizados e rindo de orelha a orelha, posam para as câmeras fazendo com os dedos o “C” de Roberto Cidade. A cena, divulgada com pompa oficial de campanha, escancara a pergunta que não quer calar: como alguém consegue ser tão duas caras?
A foto é o retrato definitivo da ingratidão e da falta de escrúpulos. Os dois principais beneficiários da articulação e do prestígio de David Almeida agora marcham lado a lado no palanque de quem sempre foi o adversário, demonstrando que a memória de ambos se apaga na mesma velocidade em que novos acordos são costurados.
Tadeu de Souza: Do sonho de ser governador ao baixo clero do PP
A trajetória de Tadeu de Souza beira o tragicômico. Indicado a dedo por David Almeida em 2022 para ser o vice-governador de Wilson Lima, Tadeu rapidamente vestiu o terno de quem já se imaginava governando o Amazonas. Seu plano de poder, no entanto, foi atropelado quando Roberto Cidade manobrou na ALEAM, venceu a eleição indireta para o governo tampão e sentou de vez na cadeira de chefe do Executivo.
Em vez de manter o mínimo de coerência ou brio político após ter seu espaço engolido, Tadeu preferiu a subserviência. Acomodado no PP, partido que integra a corte do União Brasil de Wilson Lima (candidato ao Senado) e Roberto Cidade (em campanha pela reeleição), Tadeu engoliu o orgulho a seco e aceitou o papel de mero candidato a deputado federal. Ver o ex-vice-governador panfletando e fazendo o “C” para o homem que tomou o seu lugar é a prova de que sua pressa pelo poder só perde para a facilidade em bater continência para quem o desbancou.
Marcos Rotta: O “indignado” que virou cabo eleitoral sem mandato
Se a postura de Tadeu é de puro pragmatismo eleitoreiro, a de Marcos Rotta é um insulto à inteligência do eleitor. Rotta abandonou o Avante encenando uma crise de mágoa, posando de injustiçado porque David Almeida dividiu o apoio ao senado entre Eduardo Braga e Rotta, já que são duas cadeiras, em vez de apoiar apenas a de Rotta. Ciúmes? Com certeza. E qual foi a sua reação após tanto drama? Largar a disputa e virar militante de rua de Roberto Cidade, sem disputar absolutamente cargo nenhum.
A incongruência é tão gritante que não se sustenta em discurso político. Por que um político rodado, que rompeu com a prefeitura sob o pretexto de ter sido “preterido”, se rebaixaria a cabo eleitoral de graça para outro grupo? A tese de “amor à causa” não convence ninguém nos bastidores de Manaus. Para alguém entrar de cabeça numa campanha com o bolso vazio de votos e sem nenhuma vaga na chapa, o combustível que move essa repentina paixão por Cidade só pode ser uma “grana preta” daquelas que não cabem nas declarações oficiais de campanha.
Com Wilson Lima de olho em Brasília, Roberto Cidade agarrado à máquina estatal, Tadeu se contentando com migalhas proporcionais e Rotta fazendo papel de animador de torcida remunerado, o trio da conveniência mostra que tudo tem preço. Ao exibirem seus sorrisos nas redes, eles não apenas oficializam a traição a David Almeida: esfregam na cara da população que a cara de pau, no Amazonas, agora tem foto, vídeo e alcance patrocinado.

