“Biscoiteros”: Alberto Neto testa a paciência de Nikolas ao transformar marcha em comício para Maria do Carmo; veja vídeo
Amazonas – Há quem viaje para marchar, há quem viaje para protestar e há o Capitão Alberto Neto, que parece ter viajado milhares de quilômetros de Manaus até o interior de Minas Gerais com uma missão nobre: servir de suporte de celular para a pré-campanha de Maria do Carmo Seffair.
O cenário beira o surrealismo político. Horas antes, o organizador do evento, Nikolas Ferreira, soltou os cachorros. Em um vídeo que viralizou, o mineiro foi claro, direto e até rude: “Estou me lixando se você é candidato… Isso aqui não é parada eleitoreira”. O recado era um “chega pra lá” nos oportunistas que tentam surfar na onda da mobilização para garantir votos em 2026.
Mas o Capitão Alberto Neto parece ter ouvido outra coisa. Ou simplesmente não se importa.
Ao chegar no local da caminhada, em vez de respeitar o tom de sacrifício e “justiça” pregado pelo anfitrião, Alberto Neto sacou o celular transformou Nikolas Ferreira em garoto-propaganda involuntário de sua chapa no Amazonas. Com um sorriso amarelo, o deputado amazonense enquadrou Nikolas na tela e, ignorando solenemente o pedido de “sem política”, apresentou Maria do Carmo — que estava no conforto do ar-condicionado — como “nossa futura governadora”.
É o cúmulo da surdez seletiva. Nikolas pede foco na pauta nacional; Alberto Neto responde com marketing paroquial.
A cena é constrangedora. Enquanto Nikolas e sua trupe enfrentam sol, chuva e asfalto quente, Alberto Neto age como um promoter de luxo. Ele voou até o sudeste não para somar silenciosamente na multidão, mas para garantir que o rosto de sua aliada aparecesse na tela, associando a imagem dela ao engajamento alheio.
E a hipocrisia não para por aí. É muito fácil fazer política via 5G e ponte aérea. Maria do Carmo, direto de sua varanda, manda “força” e “orações”, terceirizando o esforço físico enquanto tenta capitalizar politicamente sobre o suor de quem está na estrada.
O episódio deixa claro que, para alguns políticos do Amazonas, a “Caminhada pela Liberdade” é apenas mais um cenário instagramável. Alberto Neto provou que é capaz de atravessar o país para estar ao lado de Nikolas, mas incapaz de respeitar a única regra que o deputado mineiro impôs: deixar a urna de lado e focar no protesto.
Nikolas disse que estava “se lixando” para candidatos. Alberto Neto, segurando o celular como um troféu, provou que o desrespeito é mútuo. Para ele, o ato é só um degrau — e Nikolas, apenas um cabo eleitoral de luxo para quem ficou em casa.


