“Bancada da bala toda em silêncio”: pré-candidato foragido apoiado por Maria do Carmo expõe hipocrisia e crise moral dentro do PL-AM; veja vídeo
Manaus – A política amazonense presenciou, nesta semana, uma reviravolta que expôs as contradições do discurso de “moralidade e bons costumes” adotado por figuras proeminentes do Partido Liberal no Amazonas (PL-AM). Maria do Carmo, que recentemente utilizou suas redes sociais para atacar o prefeito de Manaus, David Almeida, associando-o ao crime organizado, vê agora o seu próprio núcleo político no centro de um escândalo policial de proporções milionárias.
O silêncio ensurdecedor da ala mais dura do partido — a autointitulada “bancada da bala” — contrasta com os inúmeros registros que mostram a estreita relação da liderança com Anderson Ricardo Lima dos Santos, o “Pastor Anderson Bandeira”. Alvo principal da Operação Negócio Turvo, deflagrada na última terça-feira (24) pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), o aliado de primeira hora é apontado como líder de um esquema de pirâmide financeira que deixou um prejuízo de R$ 75 milhões.
O “Pastor” Foragido e as Bênçãos no Palanque
Apresentando-se nas redes sociais com um perfil religioso para seus mais de 14 mil seguidores e o lema “Eu vi o futuro e decidi viver nele”, Anderson Bandeira usava a fé e o discurso conservador como escudo. Mais do que um mero filiado, Anderson foi apresentado como o primeiro pré-candidato a deputado estadual do partido para as eleições de 2026 durante um evento oficial da sigla.
A intimidade política é documentada: vídeos mostram o agora foragido orando e “abençoando” a pré-candidata ao Governo, Maria do Carmo, no palco, ladeado pelo presidente do PL Amazonas, Alfredo Nascimento. Em publicações que o partido agora tenta apagar, Maria do Carmo celebrava o grupo como um “time formado para mudar o Amazonas”.
O Golpe contra Servidores: A Engrenagem do Crime
Enquanto posava de figura ilibada, Anderson operava, segundo as investigações, um esquema cruel focado em servidores públicos. A quadrilha utilizava portais da transparência para captar dados e atrair vítimas com margem para empréstimos consignados através da empresa G.A Veículos.
Como funcionava o esquema:
A Isca: Convenciam a vítima a contrair um grande empréstimo bancário e transferir o valor integral para a empresa.
A Promessa: A organização garantia o pagamento das parcelas mensais e ainda prometia um “lucro” extra ao servidor.
O Calote: Após pagar as primeiras parcelas para ganhar confiança, os repasses eram cortados, deixando os servidores com dívidas impagáveis.
Dois Pesos, Duas Medidas e a “Cegueira” do Delegado
A crise moral reside na seletividade da indignação. Há poucos dias, Maria do Carmo cobrava explicações fervorosas sobre as companhias de seus adversários. Pela lógica pregada por ela, um líder deve responder pelos crimes de seus aliados. No entanto, diante do indiciamento de seu “pastor” por estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o PL-AM limitou-se a uma nota seca de expulsão.
Não houve vídeos de indignação, não houve lives denunciando a corrupção interna, nem postagens inflamadas dos parlamentares da segurança pública.
A ironia atinge o ápice com a figura do Delegado Costa e Silva. Imagens reveladas mostram o delegado, conhecido pela retórica implacável contra o crime, sorridente em eventos ao lado de Anderson Bandeira. A proximidade levanta uma questão incômoda: por que a “faro de justiça” da bancada da bala é tão aguçado para a oposição e tão inexistente para quem divide o mesmo palanque?
Sombras sobre a “Bancada da Bala”
O escândalo da pirâmide soma-se a outra denúncia gravíssima. Recentemente, um vídeo póstumo de Carlos Henrique — homem assassinado em Manaus — trouxe acusações diretas contra figuras como o Sargento Salazar e o Capitão Alberto Neto, citando supostos esquemas de extorsão (“arrocho”), comércio ilegal de ouro e formação de milícia.
Ao construir uma plataforma baseada exclusivamente na criminalização do “outro”, o PL-AM entregou munição para sua própria desconstrução. O partido que pedia “moral para falar de honestidade” agora lida com o fato de que seu principal entusiasta religioso é um foragido da justiça.
Saldo da Operação e Denúncias
A Operação Negócio Turvo cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, recolhendo cerca de 30 veículos, armas e documentos. Oito pessoas já foram presas, mas os líderes seguem foragidos.
Os Foragidos:
- Anderson Ricardo Lima dos Santos (Anderson Bandeira)
- Carlos Augusto da Silva Freitas
- Emanuelle Rosa Ramos dos Santos
A PC-AM solicita que qualquer informação sobre o paradeiro dos citados seja repassada de forma anônima pelo telefone (92) 3667-7788 ou pelo 181.



