Augusto Ferraz transforma emenda de R$ 7,6 milhões em obra inacabada com apenas 1 km de asfalto ao lado de lixão podre em Iranduba
Amazonas – Uma denúncia grave envolvendo o uso de verbas federais coloca sob suspeita a execução de obras de infraestrutura no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. O foco é o Ramal do Creuza (também conhecido como Ramal do Caminhoneiro), que recebeu uma emenda parlamentar de R$7.598.483,95 (sete milhões, quinhentos e noventa e oito mil, quatrocentos e oitenta e três reais e noventa e cinco centavos) de autoria do senador Omar Aziz (PSD). O montante, suficiente para pavimentar com folga toda a extensão do ramal, resultou em apenas um quilômetro de asfalto de baixa qualidade, levantando questionamentos sobre a fiscalização do recurso e a relação entre o senador e o prefeito Augusto Ferraz.
Onde foi parar o dinheiro?
O projeto original previa a pavimentação de pouco mais de 5 quilômetros de extensão. Especialistas do setor de engenharia civil apontam que o custo médio para asfaltar um quilômetro de via rural gira em torno de R$ 1 milhão. Com R$ 7,6 milhões em caixa, a Prefeitura de Iranduba teria recursos suficientes para realizar a obra completa, incluindo drenagem e sinalização.
No entanto, a realidade encontrada no local desafia a lógica orçamentária:
Apenas 1,3 km foi asfaltado pela empresa contratada, a HSX Engenharia.

O restante da via permanece em chão de barro, repleto de buracos e lama.
O trecho pavimentado apresenta espessura fina e já demonstra sinais de degradação precoce, sem calçadas ou meio-fio.
Aliança Política e a Falta de Fiscalização
A obra no Ramal do Creuza expõe a estreita aliança política entre o prefeito Augusto Ferraz e o senador Omar Aziz. Durante o anúncio da verba e o início dos trabalhos, a gestão municipal utilizou amplamente a imagem do senador para capitalizar apoio político, apresentando a emenda como uma conquista definitiva para a região.
A denúncia aponta para uma omissão grave: apesar de ser o autor da emenda milionária, não há registros de cobrança pública ou fiscalização efetiva por parte do senador Omar Aziz quanto à aplicação dos recursos por seu aliado político. O “silêncio” do parlamentar diante da entrega de apenas 20% da obra sugere que a parceria política pode estar se sobrepondo ao dever de zelo pelo erário federal.
Manobras Eleitorais e Atrasos Injustificados
Moradores e lideranças locais relatam um cronograma de obras que coincide estrategicamente com o calendário eleitoral. Máquinas da prefeitura e da construtora teriam realizado intensa movimentação de terraplanagem nos 45 dias que antecederam o pleito municipal. Logo após as eleições, o maquinário foi retirado, retornando apenas meses depois para executar o curto trecho asfaltado.
A placa oficial da obra indica que o serviço deveria ter iniciado em maio de 2024, com entrega prevista para novembro do mesmo ano. Atualmente, o projeto acumula meses de atraso injustificado, enquanto a população questiona o destino do saldo remanescente da verba federal.
O Lixão do Km 6
Além do escândalo financeiro do asfalto, o Ramal do Creuza é cenário de um desastre ambiental e sanitário. No quilômetro 6, o lixão de Iranduba opera sem qualquer controle, gerando montanhas de detritos e chorume a céu aberto.
A denúncia técnica aponta que o chorume do lixão está contaminando o solo e escorrendo para cursos d’água, afetando diretamente o lençol freático e o Igarapé do Papagaio. Estudos preliminares indicam a presença de metais pesados e coliformes fecais nas águas que abastecem balneários e comunidades vizinhas.
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM acompanha o caso e aguarda laudos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Iranduba não apresentou o detalhamento dos gastos que justifique o valor de R$ 7,6 milhões para apenas 1,3 km de asfalto. A assessoria do Senador Omar Aziz também não se manifestou sobre a fiscalização da emenda destinada ao município. O espaço permance aberto.





