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Após pressão de Trump, Casa Branca diz que Irã suspendeu 800 execuções

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Após pressão de Trump, Casa Branca diz que Irã suspendeu 800 execuções

Mundo – Em um inesperado giro diplomático, a Casa Branca anunciou nesta quinta-feira (15) que o governo iraniano teria suspendido a execução de pelo menos 800 condenados à morte, muitos deles presos durante a onda de protestos que sacode o país desde o final de 2025. A informação foi confirmada pela porta-voz presidencial Karoline Leavitt em coletiva à imprensa, poucas horas após o presidente Donald Trump adotar um tom visivelmente mais contido em relação ao regime de Teerã.

“O presidente foi informado de que as 800 execuções programadas para ontem foram suspensas. Estamos acompanhando a situação de perto e, como já afirmado anteriormente, todas as opções continuam sobre a mesa”, declarou Leavitt, escolhendo palavras que mantêm a pressão, mas evitam a escalada verbal das últimas semanas.

A mudança de postura do presidente americano ocorre após uma sequência de ameaças públicas. Na terça-feira, Trump havia declarado que os Estados Unidos consideravam “opções muito fortes” para impedir o que chamou de “massacre de civis inocentes” pelo regime do aiatolá Ali Khamenei. Ontem, porém, o tom foi outro: “Fomos informados de que os assassinatos no Irã estão parando. As execuções pararam”, disse Trump durante evento na Casa Branca, citando supostas comunicações indiretas com autoridades iranianas.

Segundo a narrativa oficial americana, Teerã também teria sinalizado que não pretende levar a cabo as sentenças de morte contra manifestantes detidos nos últimos meses — entre eles o jovem ativista Erfan Soltani, cuja execução estava marcada para esta quarta-feira e que, até o fechamento desta matéria, não havia sido confirmada pelas autoridades iranianas.

Os protestos que eclodiram em dezembro de 2025 já deixaram, segundo a ONG Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRA), mais de 2.400 mortos e cerca de 18 mil prisões. As manifestações, inicialmente motivadas pela deterioração da economia e pela repressão social, ganharam contornos políticos abertos, com gritos pedindo o fim da República Islâmica.

O governo iraniano, por sua vez, segue atribuindo os atos a uma “conspiração estrangeira” liderada pelos Estados Unidos, com apoio de iranianos exilados e serviços de inteligência ocidentais. O próprio líder supremo Ali Khamenei voltou a classificar os protestos como “guerra híbrida” promovida por Washington.

Analistas em Washington avaliam que a suposta suspensão das execuções pode ser interpretada de duas formas: ou como uma tentativa do regime iraniano de desarmar a pressão internacional e evitar uma intervenção militar americana, ou como uma manobra tática para ganhar tempo enquanto reprime os protestos por outros meios.

A Casa Branca, por ora, celebra o que chama de “primeiro resultado concreto” da postura dura adotada por Trump. Nos bastidores, porém, assessores reconhecem que a informação ainda não foi verificada de forma independente — e que o número de 800 execuções suspensas, caso confirmado, representaria uma das maiores intervenções humanitárias indiretas da história recente da política externa americana.

Por enquanto, o que se observa é um raro momento de distensão verbal entre dois adversários históricos. Resta saber se a trégua nas execuções sobreviverá aos próximos dias — ou se será apenas mais um capítulo da longa e imprevisível dança entre Washington e Teerã.


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