Após denúncia de abandono no CAIC TEA ao CM7 Brasil, deputado Mário César Filho se mobiliza para ajudar mãe atípica; veja vídeo

Manaus – Na última segunda-feira (31/08), o Portal e TV CM7 trouxe o apelo da dona de casa Marizane, moradora do Alvorada e mãe de três filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O caso mais delicado é o de Isaac, de 11 anos. A mãe, inclusive, precisa amarrar o filho com um fio de telefone para impedir que ele destrua a pequena casa de dois cômodos ou se machuque.
A situação de Isaac é complexa e documentada. Laudos médicos emitidos em abril e junho de 2026 confirmam que o menino possui TEA nível 3 de suporte, considerado o grau mais severo, associado ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e à deficiência intelectual grave.
Os documentos apontam que Isaac apresenta comportamento agressivo, hiperatividade motora e não controla os esfíncteres, fazendo suas necessidades fisiológicas no chão. O menino também não fala e usa fraldas 24 horas por dia.
O desespero da mãe por um atendimento especializado para o filho é tão grande que ela procurou a equipe de reportagem do Portal e TV CM7 Brasil para relatar as dificuldades que vinha enfrentando.Com a grande repercussão da reportagem, o deputado estadual Mário César Filho, que atua na defesa dos direitos das pessoas autistas viu a publicação e se comprometeu a ajudar a família a conseguir o atendimento necessário:
Veja:
Relembre o caso
A realidade da inclusão e do suporte às pessoas com autismo no Amazonas ainda revela um cenário de dificuldades enfrentadas diariamente por famílias que dependem da rede pública de saúde. Em Manaus, a dona de casa Marizane, moradora de uma área de risco no bairro Alvorada, afirma ter chegado ao limite da exaustão física e emocional.
Mãe de três filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ela relata que precisa tomar medidas extremas para proteger a família e o próprio filho, Isaac Vieira Canto, de 11 anos. Segundo Marizane, em razão do comportamento agressivo do menino, ela chega a amarrá-lo com um fio de telefone para evitar que ele destrua a pequena casa de dois cômodos onde vivem ou se machuque.
A situação de Isaac é descrita em laudos médicos emitidos em abril e junho de 2026. Os documentos apontam diagnóstico de TEA nível 3 de suporte, considerado o grau mais severo, associado ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e à deficiência intelectual grave.
Ainda conforme os laudos, o menino apresenta comportamento agressivo, hiperatividade motora, não controla os esfíncteres, não fala e utiliza fraldas durante 24 horas por dia.
Necessidade de atendimento especializado
As prescrições médicas indicam a necessidade de acompanhamento multidisciplinar contínuo. Neuropediatras e psiquiatras da própria rede estadual, incluindo profissionais do CAIC Alberto Carreira e do ambulatório psiquiátrico, apontam a necessidade de terapias e acompanhamento especializados.
Entre as recomendações estão a Terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada), sessões semanais com psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, além de um mediador escolar.
Segundo a mãe, porém, Isaac não estaria recebendo nenhum desses atendimentos.
Espera no SISREG e dificuldade para conseguir atendimento
Marizane afirma que a busca por atendimento também esbarra nas filas do Sistema Nacional de Regulação (SISREG). Uma guia de solicitação registra pedido de atendimento psicológico em caráter de urgência, com a justificativa de “quadro de agitação extrema e comportamento inadequado”.
De acordo com a mãe, apesar da solicitação, o atendimento não foi disponibilizado.
No dia 15 de julho de 2026, ela procurou presencialmente o CAIC+ Juventude, no bairro São Geraldo, em busca de atendimento para o filho. Marizane relata que, após passar por uma triagem, foi informada na recepção de que Isaac não poderia ser atendido porque apresentava outras condições de saúde, como asma e um cisto no crânio.
Segundo ela, a justificativa apresentada foi de que a unidade estaria recebendo apenas pacientes “só autistas”.A família contesta a situação, já que os laudos de Isaac apontam, além do TEA, TDAH e deficiência intelectual grave, condições associadas ao quadro neurológico apresentado pelo menino.
Falta de medicação
As dificuldades relatadas pela família também envolvem o fornecimento de medicamentos.O tratamento de Isaac inclui o uso contínuo de Aripiprazol, na dosagem de 15 mg, e Amitriptilina, de 25 mg. Segundo Marizane, porém, a Central de Medicamentos do Amazonas (CEMA) não estaria fornecendo há meses o Aripiprazol na dosagem prescrita.
Diante disso, ela afirma que tem utilizado uma dosagem inferior, de 10 mg, o que, segundo seu relato, prejudica o controle da agitação do filho.
“O meu apoio sou eu mesma, não tem ninguém por mim não. Dói ver o governo ir para a televisão inventar mentira, falar de CAIC TEA e usar a gente para eleição”, desabafou a mãe.
Exaustão da família
Após meses peregrinando por unidades de saúde e também ter recorrido à Defensoria Pública do Estado, Marizane afirma estar emocionalmente e fisicamente adoecida.
A mãe relata ainda ter enfrentado pensamentos suicidas diante do esgotamento provocado pela situação e pela dificuldade de conseguir atendimento adequado para os filhos.O caso expõe, segundo a família, a distância entre a oferta anunciada de serviços especializados para pessoas com autismo e a realidade enfrentada por quem busca atendimento na rede pública.
A situação também reforça a necessidade de acompanhamento das instituições responsáveis pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente na regulação de vagas, no acesso às terapias indicadas pelos médicos e no fornecimento regular dos medicamentos prescritos.
A família busca atendimento especializado para Isaac e os demais filhos, além da garantia dos direitos previstos às pessoas com deficiência.

