André Mendonça versus Alexandre de Moraes: ministros “entram em guerra” no Supremo Tribunal Federal; veja vídeo
Brasil – O clima no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um ponto de fervura inédito. A tensão, que já transbordava em debates acalorados no plenário, agora afeta diretamente os bastidores das investigações mais sensíveis da República. De um lado, um embate público e ríspido entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes sobre os limites de quebras de sigilo; do outro, uma reviravolta monumental na relatoria do “Caso Master”.
Em imagens recentes do plenário, Mendonça questiona duramente a amplitude das investigações conduzidas por Moraes. “Uma coisa é eu pegar um suspeito A e quebrar todos os e-mails dessa pessoa (…) Outra coisa é eu abrir para um número indeterminado de pessoas”, argumenta Mendonça, destacando que invasões dessa natureza capturam a intimidade e dados de cidadãos comuns de forma indiscriminada. Moraes rebate, defendendo que a ação tem respaldo em investigações prévias e garantindo que tudo o que não tem relação com o crime é descartado.
Esse debate teórico sobre abusos ganha contornos dramáticos nas redes sociais com relatos como o de Salomão Vieira de Jesus. Cantor evangélico e foragido no Paraguai há mais de dois anos em decorrência do 8 de janeiro, Salomão exibe no vídeo um mandado de prisão preventiva assinado por Moraes com validade até 2043. Ele alega que sofre perseguição política injustificada, relatando o bloqueio de suas contas pessoais e até do benefício de sua mãe, o que ilustra na prática o peso das medidas cautelares criticadas por Mendonça e por parcelas da sociedade.
A Reviravolta no “Caso Master”
Se no plenário o clima é bélico, nos gabinetes a situação tem tirado o sono de figuras centrais de Brasília. Em apenas uma semana à frente do explosivo “Caso Master”, Mendonça desfez toda a estrutura montada pelo antigo relator, Dias Toffoli, que mantinha amarradas a Polícia Federal (PF) e a CPMI do INSS.
A primeira cartada de Mendonça foi devolver a autonomia à PF. Acabaram os peritos escolhidos a dedo e o material escondido em gabinetes. A extração e análise dos dispositivos apreendidos agora seguem o fluxo técnico ordinário da corporação. A decisão põe fim ao que críticos chamavam de inversão de papéis entre o investigado Banco Master e o investigador Banco Central.
A segunda decisão de Mendonça atingiu em cheio o Congresso. O ministro ordenou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entregasse imediatamente à PF os dados sigilosos bancários, fiscais e telemáticos do empresário Daniel Vorcaro. As informações estavam sob custódia da Presidência do Senado por ordem de Toffoli, barrando o andamento das apurações. Agora, a PF compartilhará as provas com a CPMI do INSS, garantindo que o caso seja escrutinado longe das sombras.
A Tensão das “Caixas-Pretas”
Com a PF desimpedida e a CPMI destravada, o escândalo ameaça expor as relações do empresariado com as altas cortes e a classe política. Narrativas de bastidores sugerem que as investigações podem revelar segredos tenebrosos, envolvendo desde chantagens ligadas à Receita Federal até esquemas impensáveis de corrupção. A postura de Mendonça — descrito como um magistrado técnico, sério e que chegou a se recolher em oração ao assumir o caso — destoa frontalmente da operação de contenção que vigorava até então.
Ao soltar as amarras da Polícia Federal, André Mendonça não apenas comprou uma briga de gigantes no STF, mas também reacendeu no Brasil a expectativa de que o alcance da Justiça pode, enfim, chegar aos intocáveis.


