Alvo da PF em Manaus, dono da Millennium Locadora e do Barollo tem contratos em AM, RO e TO e já forneceu jatinho para Lula

Manaus – A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Reduto, que resultou na apreensão de cerca de R$ 800 mil em dinheiro vivo na residência de um empresário ligado à Millennium Locadora, em Manaus. Um dos principais alvos da ação é Ivair Ferreira, dono da empresa de locação e também sócio do renomado restaurante Barollo. A operação, que cumpriu 19 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, tem como objetivo desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e “rachadinha” com ramificações em Rondônia e no Amazonas.
As autoridades destacaram, para evitar confusões criadas nas redes sociais, que os R$ 800 mil apreendidos pertencem ao empresário Ivair Ferreira, não tendo relação com servidores, deputados ou agentes políticos da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO). O montante foi encontrado estocado em pacotes de notas durante diligências realizadas em condomínios de alto padrão na região da Ponta Negra, em Manaus, e em endereços estratégicos de Rondônia, locais onde também foram localizados veículos importados e uma robusta coleção de relógios de luxo.
Império de contratos públicos e expansão
Com sede no bairro Adrianópolis, na capital amazonense, a Millennium Locadora construiu um verdadeiro império transformando o poder público em seu principal cliente. A capilaridade do grupo se estende por múltiplos estados e esferas de governo, incluindo uma filial registrada em Porto Velho (RO) com capital social declarado de R$ 30,6 milhões.
O volume de recursos públicos envolvidos nas operações da empresa chama a atenção pelas cifras exorbitantes:
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A Millennium Locadora firmou um contrato superior a R$ 15 milhões com o Governo do Amazonas, via extinta Agência de Desenvolvimento Sustentável (atual AADESAM), voltado ao aluguel de máquinas pesadas.
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O grupo empresarial também possui um contrato de R$ 106 milhões junto à Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Manaus.
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Em Rondônia, a empresa chegou a firmar um acordo de R$ 277,6 milhões com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RO), que posteriormente foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO).
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A locadora possui histórico de participação em licitações da Superintendência Estadual de Licitações (Supel) do Governo de Rondônia, além de contratos com a Prefeitura de Porto Velho e com a ALE-RO para locação de viaturas.
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O grupo atua ainda no ramo de aviação executiva de luxo por meio da Mill Taxi Aéreo.
O episódio do jatinho presidencial
A Millennium Locadora esteve no centro do noticiário político nacional em novembro de 2022. Um jatinho da empresa, modelo Citation XLS e de prefixo PP-IVA, foi o responsável por transportar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva de São Paulo para Brasília logo após a vitória nas urnas.


Na mesma viagem estavam a futura primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), e o ex-ministro Fernando Haddad. O episódio gerou polêmica à época pelo fato de a aeronave pertencer a um empresário que detinha contratos milionários com o poder público, o que levantou questionamentos sobre a relação da cúpula petista com o grupo empresarial. Para justificar o uso do jato particular, Lula criticou a gestão anterior e declarou que o então presidente Jair Bolsonaro não havia oferecido uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para o seu deslocamento.
A investigação da PF
O esquema bilionário começou a ser desbaratado no início de 2024, quando a inteligência da PF passou a monitorar o grupo após o recebimento de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os documentos apontaram movimentações atípicas e um fluxo de caixa incompatível com a capacidade econômica declarada pela empresa sediada em Manaus, sugerindo o seu provável uso como firma de fachada.
Com autorizações chanceladas pelo Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), os investigadores descobriram que a organização criminosa operava de maneira altamente estruturada em duas frentes simultâneas: uma delas dedicada quase exclusivamente a fraudar processos licitatórios visando o direcionamento ilícito de contratos. Até o momento, a defesa do empresário Ivair Ferreira não se manifestou oficialmente sobre as acusações.


