Alberto Neto dá ‘chega pra lá’ em Roberto Cidade e Wilson Lima: ‘O PL não está à venda’
Manaus – O xadrez político do Amazonas ganhou contornos mais nítidos, e contundentes, nas últimas movimentações de bastidores. O que antes era alvo de especulações e sussurros nos corredores do poder foi trazido à luz pelo Capitão Alberto Neto (PL): não há, e não haverá, aliança com o governador Wilson Lima ou com o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade.
A confirmação veio em tom de ruptura durante uma sabatina com a jornalista Rosiene Carvalho. Questionado diretamente sobre a possibilidade de compor com o grupo governista, o parlamentar não deixou margem para ambiguidades, entregando uma resposta que redesenha as estratégias das legendas de direita no estado.
A Ruptura Justificada: Críticas ao Governo
O “não” de Alberto Neto não foi apenas político, mas acompanhado de um diagnóstico severo da atual administração. Para justificar a recusa em subir no mesmo palanque de Wilson Lima e Roberto Cidade, o Capitão adotou um discurso de oposição frontal.
Ele classificou a fila do Sistema Nacional de Regulação (SISREG) no estado como “assassina”, apontando para a crise crônica na saúde pública. Além disso, mirou na educação — que, segundo ele, amarga as últimas posições nos rankings nacionais — e na estagnação econômica do interior do Amazonas.
“Nós queremos apresentar para a população que o Amazonas tem um caminho de prosperidade (…) Coisa que quem tá aí mostrou que não tem capacidade e não merece continuar”, cravou o parlamentar, fechando de vez as portas para o Palácio Brasil.
O Jogo de Bastidores
As falas do Capitão revelam muito sobre o atual nível de pressão nos bastidores da política amazonense. Como é de praxe em períodos pré-eleitorais, candidatos majoritários com a máquina na mão tentam a todo custo asfixiar adversários cooptando suas bases políticas.
Alberto Neto reconheceu que essas “conversas de bastidores” estão acontecendo, mas fez questão de blindar sua imagem contra rumores de negociações escusas. Para afastar de vez o assédio governista, Alberto Neto antecipou o desenho de sua trincheira: uma chapa independente com Capitão Alberto Neto para o Senado. A mensagem final foi um recado direto aos caciques políticos que tentam usar o peso da máquina para esvaziar sua candidatura. Em um momento onde as alianças costumam ser costuradas à base de cargos e tempo de televisão, a declaração de Neto busca fincar a bandeira da integridade ideológica. “Eu quero deixar uma palavra para você: o Capitão Alberto Neto não está à venda. O Partido Liberal não está à venda. Nós estamos aqui em um projeto de estado e de país, não um projeto de poder.”


