Advogado Lindomar Rezende pode ser punido pela OAB após declarar querer “cortar cabeças de bolsonaristas”; veja vídeo
Brasil – O vereador Rafael Ranalli (PL), de Cuiabá, utilizou suas redes sociais para cobrar providências urgentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) após a viralização de mensagens atribuídas ao advogado Lindomar da Silva Rezende, de Cáceres (MT).
No material que circula em grupos e perfis bolsonaristas, o profissional do Direito aparece afirmando que “torce para que um dia possamos cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública” e se colocando como “voluntário” para o ato. Caso é visto como ‘incitação ao ódio e à violência política’.
As declarações de Lindomar Rezende, feitas na noite de 7 de janeiro de 2026 em um grupo de WhatsApp restrito a advogados da região, geraram forte repercussão nacional. Os prints mostram que a discussão começou após o compartilhamento de uma notícia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — relacionada a um pedido de reembolso de R$ 13,6 mil por passagens aéreas, posteriormente justificado como equívoco pela assessoria do parlamentar. A conversa rapidamente escalou para ofensas mútuas, xingamentos e, no caso de Lindomar, para a polêmica frase de teor violento.
Em vídeo publicado nas redes, o vereador Rafael Ranalli classificou a declaração como incitação ao ódio e à violência política, afirmando que tal conduta é incompatível com o exercício da advocacia. “O que ele disse não é debate político, é ameaça. Não tem cabimento um advogado incitar violência”, declarou Ranalli, questionando qual seria a reação das instituições se a fala tivesse partido de alguém da direita. O parlamentar ainda desafiou diretamente o advogado: “Vem cortar meu pescoço”, em tom de confronto, reforçando sua cobrança por investigação imediata pela OAB subseccional de Cáceres e pela seccional de Mato Grosso.
O caso reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão no exercício da advocacia, especialmente em espaços privados como grupos de mensagens, que, apesar de restritos, envolvem profissionais que representam a classe perante a sociedade. Especialistas apontam que a fala pode, em tese, configurar incitação ao crime (art. 286 do Código Penal), embora fatores como o contexto de conversa fechada, o alegado tom de “galhofa” e a ausência de ampla publicidade possam dificultar eventual enquadramento penal ou levar ao arquivamento pelo Ministério Público.
Procurado pela imprensa, Lindomar Rezende confirmou a autoria das mensagens e afirmou que elas foram enviadas “no bojo de acirrada discussão política”, em que bolsonaristas também teriam proferido ofensas pesadas contra opositores chamados de “esquerdalha”. Ele classificou seus comentários como “em tom de galhofa”, sem intenção real de incentivar violência, e se retratou publicamente: “Reafirmo que fui infeliz em meus comentários e deles me retrato publicamente”.
O advogado, que já ocupou cargo público como coordenador do Procon de Cáceres, preferiu não se pronunciar.
Até o momento (10 de janeiro de 2026), não há informações se a OAB-MT recebeu uma denúncia formal, reclamação ou pedido de abertura de procedimento ético-disciplinar relacionado ao caso. No entanto, a repercussão nacional — com cobertura em portais como Metrópoles, Gazeta Digital e outros — pode pressionar pela abertura de investigação de ofício pelo Tribunal de Ética e Disciplina. Em situações semelhantes, sanções disciplinares na OAB podem variar de advertência a suspensão ou até exclusão definitiva dos quadros da entidade.
O episódio expõe, mais uma vez, como a polarização política extrema pode invadir até mesmo espaços profissionais, colocando em xeque a responsabilidade ética de quem exerce a advocacia — função que exige equilíbrio, urbanidade e compromisso com a defesa da democracia e do Estado de Direito. O desenrolar do caso dependerá agora da iniciativa de denúncias formais e da análise da OAB sobre se a declaração extrapolou os limites toleráveis, mesmo em contexto de acalorada troca de mensagens.


