“Absurdo”: funcionários do Ipem-AM denunciam ameaças para fazer campanha e “bandeirada” para Roberto Cidade de graça

Amazonas – O Portal e TV CM7 Brasil recebeu com exclusividade, nesta quarta-feira (2), uma denúncia envolvendo funcionários do Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (Ipem-AM), que relatam estar sendo pressionados a participar de atividades políticas em apoio ao governador e candidato à reeleição Roberto Cidade.
Segundo os relatos encaminhados à reportagem, trabalhadores estariam sendo convocados a participar de reuniões, palestras e ações de campanha, principalmente no período noturno e aos sábados. A denúncia aponta ainda que a participação estaria sendo cobrada como uma espécie de condição para a manutenção dos empregos.
Em um dos áudios enviados ao CM7 Brasil, uma funcionária afirma que anteriormente havia opção de participar ou não das atividades, mas que a situação teria mudado.
“Agora eles estão obrigando a gente fazer trabalho pro Cidade”, relata.
De acordo com a denúncia, funcionários estariam sendo chamados para participar de “bandeiradas” e outras ações de campanha. A servidora afirma ainda que listas estariam sendo elaboradas para registrar quem comparece e quem não participa das atividades.
Outro ponto levantado na denúncia é que os trabalhadores não receberiam qualquer remuneração adicional pelas atividades políticas e, segundo o relato, sequer teriam auxílio para o deslocamento.
“Eles ainda querem que a gente dê um jeito de arrumar dinheiro pra ir fazer campanha pro Cidade de graça”, afirma a denunciante.
A situação, segundo ela, seria ainda mais delicada porque alguns funcionários enfrentariam dificuldades para conciliar as supostas convocações com compromissos pessoais e familiares. No áudio, a servidora relata que não teria com quem deixar o filho para participar das atividades realizadas durante a noite.
Pressão e risco de demissão
A denúncia também aponta que funcionários que não participassem das atividades poderiam sofrer consequências profissionais.
Segundo o relato, um trabalhador que cursava faculdade teria precisado interromper os estudos para conseguir participar das atividades noturnas.
“Teve um menino lá do setor que fazia faculdade, teve que cancelar a faculdade dele pra poder fazer os trabalhos à noite pro Cidade, que senão ele corre o risco de perder o emprego”, afirma a denunciante.
Em outro áudio encaminhado à reportagem, a fonte afirma que a orientação teria partido do setor de Recursos Humanos.
“Foi a ordem do RH, que quem quiser manter o seu emprego tem que ir fazer a campanha”, relata.
A denúncia também menciona supostos atrasos no pagamento dos salários dos funcionários. Segundo a fonte, mesmo enfrentando dificuldades financeiras, os trabalhadores estariam sendo cobrados a participar das atividades sem receber qualquer valor adicional.
“Eles não pagam nem o salário da gente pra poder ter o dinheiro pelo menos pra se locomover e ainda faz uma exigência dessa”, afirma.
Denúncia precisa ser apurada
Os relatos enviados ao CM7 Brasil levantam questionamentos sobre uma possível utilização da estrutura de um órgão público para pressionar servidores a participar de atividades político-eleitorais. Diante da gravidade das denúncias, os órgãos de controle e as autoridades responsáveis precisam apurar os fatos e verificar se houve pressão, ameaça de demissão ou qualquer tipo de constrangimento a funcionários para participação em atividades de campanha.
A apuração também deve esclarecer se houve orientação formal do setor de Recursos Humanos, elaboração de listas com nomes de servidores que não participaram das atividades e eventual utilização de recursos ou da estrutura pública em favor de candidatura.
Ouça áudio:

