Aadesam é alvo de busca da PF após denúncia de possível uso eleitoral de servidores em favor de Roberto Cidade

Manaus – A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (3), mandados de busca e apreensão na sede da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam), em Manaus. A ação faz parte de uma investigação da Justiça Eleitoral sobre possíveis casos de abuso de poder econômico e político nas Eleições 2026.
A Aadesam é uma entidade vinculada ao Governo do Amazonas, comandado pelo governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade.
A operação foi determinada pela Vice-Presidência e Corregedoria Regional Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE). A apuração envolve suspeitas relacionadas à transferência de 19 servidores da Aadesam de Manaus para municípios do interior do estado.
Segundo a investigação, as transferências poderiam ter motivação eleitoral. A Justiça Eleitoral já havia determinado a suspensão da medida e proibido a entidade de apagar, alterar ou retificar registros relacionados à admissão e ao desligamento de funcionários.
A busca foi autorizada após o MPE alertar a Justiça sobre o risco de documentos e dados importantes para a investigação serem apagados ou modificados.
Durante a ação, os agentes apreenderam equipamentos de informática, um celular e uma mídia de armazenamento. O material foi encaminhado para o setor técnico-científico da PF, onde passará por espelhamento forense e perícia. Uma nova diligência deverá ser realizada para a extração de dados específicos dos registros trabalhistas eletrônicos da entidade.
A PF informou que atuou apenas no apoio técnico e operacional ao cumprimento da ordem judicial. A ação contou com um perito criminal federal especializado em informática forense e foi acompanhada por um oficial de Justiça do TRE-AM.
Transferência de servidores
As 19 transferências foram determinadas pela Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), por meio de um ofício emitido em 19 de agosto. Entre as justificativas apresentadas estavam a necessidade de melhorar o desempenho das atividades, adequar planos de trabalho e reduzir despesas com diárias e passagens.
A medida foi questionada na Justiça Eleitoral por uma coligação, que apontou possível motivação eleitoral pelo fato de as transferências ocorrerem durante o período eleitoral e terem prazo curto para cumprimento. Segundo a coligação, há suspeita de que as transferências tenham sido realizadas para que os servidores atuassem politicamente em favor da campanha de Roberto Cidade no interior do Amazonas.
Ao analisar o caso, a desembargadora Nélia Caminha Jorge, do TRE-AM, identificou a possibilidade de prática de conduta vedada prevista no artigo 73, inciso V, da Lei das Eleições. A norma restringe a remoção ou transferência de servidores públicos nos três meses que antecedem a eleição, salvo as exceções previstas em lei.
Diante do risco de prejuízo antes da análise definitiva do processo, a magistrada concedeu liminar e suspendeu as transferências.
O processo tramita sob segredo de Justiça. Por isso, os nomes dos eventuais investigados e outros detalhes da apuração não foram divulgados.

