‘A Guerra começou’: Mendonça já mapeia votos para abertura de investigação contra Moraes no STF

Brasil – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça prepara um pedido formal ao presidente da Corte, Edson Fachin, para a abertura de uma investigação contra o colega Alexandre de Moraes. A iniciativa ocorre após revelações de que Moraes teria sido acionado para pedir proteção ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Mendonça já alertou Fachin sobre os indícios de envolvimento direto e deu um prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre um relatório da Polícia Federal que detalha as mensagens de Vorcaro.
Como a abertura de um inquérito contra um ministro exige autorização do plenário, Mendonça e seus aliados já realizam o mapeamento dos votos na Corte. O cenário atual projetado nos bastidores é de forte divisão:
- Votos contrários à investigação: Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes são considerados votos garantidos a favor de Alexandre de Moraes.
- Votos favoráveis à investigação: Edson Fachin, Nunes Marques e Luiz Fux estariam alinhados com André Mendonça pela abertura do inquérito.
- Votos indefinidos: Cármen Lúcia não possui proximidade com Mendonça, mas a aposta interna é de que ela votaria a favor da investigação.
Suspeição: Há dúvidas se Dias Toffoli participará da votação devido a relações comerciais de Vorcaro com o resort de sua família, mas, caso vote, ele é contabilizado a favor da investigação por sua proximidade com Mendonça.
Além das supostas intercessões políticas, a denúncia envolve o manuseio de um contrato firmado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O contrato, avaliado em R$ 131 milhões (ou R$ 129 milhões, segundo interlocutores), previa honorários de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de 36 meses para ampla atuação jurídica e representação do Master. Metadados do arquivo digital enviado via WhatsApp revelam que o documento sofreu edição por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” em 15 de janeiro de 2024, pouco mais de uma hora após ser remetido por Vorcaro.

Viviane Barci de Moraes confirmou, em nota, que solicitou informações ao marido através do setor de compliance do escritório para verificar eventuais impedimentos legais. A advogada alegou que o contrato foi assinado e os serviços prestados (incluindo 36 pareceres e 94 reuniões) porque Moraes jamais julgou causas do Banco Master no STF. Os pagamentos foram interrompidos após a primeira prisão de Vorcaro em novembro de 2025.
O desdobramento mais crítico baseia-se nas mensagens interceptadas do celular de Vorcaro às vésperas de sua prisão. Nos diálogos extraídos pela Polícia Federal, o ex-banqueiro pede diretamente a Moraes que tente sensibilizar o diretor-geral da PF para atrasar uma operação, afirmando que “se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana […] o banco não quebra”. Um dia antes de ser preso no aeroporto de Guarulhos tentando embarcar para Dubai, Vorcaro enviou um último desabafo ao ministro: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”.

