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A degustação milionária: “Tomara que tenha charuto e Macallan”, diz Paulo Gonet em mensagem para Vorcaro

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A degustação milionária: “Tomara que tenha charuto e Macallan”, diz Paulo Gonet em mensagem para Vorcaro

Brasil – O recente levantamento de sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF), determinado na última terça-feira (1º/9) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, trouxe à tona uma grave crise institucional envolvendo a cúpula do Ministério Público Federal. Os documentos revelam uma proximidade incompatível com a liturgia do cargo entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e réu em um processo no qual o próprio MPF atua.

Do ponto de vista técnico, a revelação das mensagens desencadeou uma reação jurídica imediata por parte da PGR. Horas após o jornal Estadão divulgar o teor do relatório policial, que detalha uma degustação de uísque avaliada em R$ 3,2 milhões, Gonet formalizou um pedido de arquivamento do caso.

A tese jurídica adotada pelo chefe do MPF para anular as provas baseia-se na alegação de incompetência do juízo. Segundo Gonet, o ministro André Mendonça atuou fora de suas atribuições legais ao determinar que a Polícia Federal produzisse o relatório a partir do celular apreendido de Vorcaro. Uma agilidade processual notável e uma defesa ferrenha do devido processo legal que, por coincidência, só despertaram após o vazamento do itinerário turístico do procurador-geral.

A cronologia do compadrio

O relatório da PF, fundamentado na quebra de sigilo telemático de Vorcaro, mapeia como se deu a aproximação entre o investigador e o investigado, intermediada pelo advogado Ciro Soares. O princípio da impessoalidade na administração pública parece ter sido suspenso em março de 2025.

No dia 15 daquele mês, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet, em um ambiente externo, solicitando que o banqueiro ligasse. Após algumas tentativas frustradas, ocorreu uma ligação de quase quatro minutos. Os registros mostram que, em 28 de março, Gonet pediu ao intermediário que repassasse uma mensagem a Vorcaro: “Que bom! Estou na torcida por vocês. Já estou com saudade de você! Estou embarcado para Roma”. Vorcaro respondeu com um emoji de coração, sugerindo que marcassem um encontro.

A documentação torna-se institucionalmente mais sensível quando o assunto passa a ser um evento exclusivo em Londres, organizado pelo banqueiro no ano de 2025. Ao confirmar presença por meio de Soares, a resposta encaminhada por Gonet foi: “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan”. Em contrapartida, ciente de quem estava agradando, o dono do Banco Master respondeu que providenciaria uma “plantação de charuto e barril de macalan”.

O aditivo familiar

Além de garantir sua própria participação no evento regado a uísque escocês de luxo, o relatório técnico aponta que o chefe do MPF utilizou o canal de comunicação para incluir seu filho na viagem. No dia 29 de março de 2025, o intermediário Ciro Soares informou a Vorcaro: “O Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”.

Diante da resposta positiva e imediata do banqueiro (“Obvio ne”), Gonet não poupou elogios ao réu, enviando a mensagem: “Você é uma máquina kkkkkkk”. O pedido para incluir “Pedrinho” foi reforçado três meses depois, às vésperas da viagem, com novo consentimento de Vorcaro.

O embate agora transfere-se para o plenário do STF, onde o ministro André Mendonça pretende levar a análise das mensagens. Resta à Corte decidir se acolhe a tese de nulidade processual levantada por Gonet ou se aprofunda a investigação. Enquanto o xadrez jurídico se desenrola em Brasília, fica evidente que o rigor da lei pode ser flexível quando a conversa envolve charutos e garrafas de Macallan.

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