Veterinária que prescrevia medicamentos controlados para humanos é presa em Manaus
Manaus – O que deveria ser o cuidado com a vida animal transformou-se em um perigoso esquema de risco à saúde pública. A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) revelou, nesta sexta-feira (09/01), detalhes da Operação Protocolo Paralelo, que resultou na prisão de duas pessoas no bairro Novo Israel, zona norte da capital. Entre os detidos, o alvo central é uma veterinária acusada de utilizar seu registro profissional para viabilizar a venda e aplicação ilegal de medicamentos controlados em seres humanos.
O Esquema: Medicina de Fachada
As investigações, coordenadas pelo 18° Distrito Integrado de Polícia (DIP), apontam que o grupo operava uma espécie de “consultório clandestino”. A veterinária utilizava receitas destinadas ao uso animal para adquirir substâncias de tarja preta e outros medicamentos de uso restrito, que eram posteriormente revendidos e aplicados em “pacientes” humanos sem qualquer supervisão médica adequada.
“As investigações apontam um esquema organizado voltado à oferta, prescrição e aplicação de substâncias controladas. O uso desses medicamentos sem o devido acompanhamento clínico representa um risco imensurável à vida”, afirmou o delegado Rodolfo Sant’Anna.
Itens Apreendidos e Provas
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes encontraram um arsenal que reforça a tese de exercício ilegal da profissão:
Medicamentos de uso controlado (muitos de uso exclusivo hospitalar ou veterinário);
Kits para aplicação injetável (seringas, agulhas e equipos);
Carimbos e receituários;
Equipamentos eletrônicos que continham o registro da movimentação financeira e conversas com clientes.
Todo o material foi encaminhado para a perícia técnica para identificar a procedência exata das substâncias e se havia adulteração nos compostos.
Consequências Criminais
Os envolvidos não responderão apenas por uma infração ética profissional. A Polícia Civil indiciou a dupla por uma série de crimes graves que, somados, podem levar a penas severas de reclusão:
Exercício ilegal da medicina: Por realizar diagnósticos e procedimentos exclusivos de médicos.
Falsidade ideológica: Pelo uso de documentos e prescrições para fins diversos do permitido em lei.
Associação criminosa: Pela organização estruturada para a prática dos delitos.
Crimes contra a saúde pública: Pelo perigo direto gerado à população através da manipulação de substâncias controladas.
Os suspeitos agora seguem para a audiência de custódia e permanecerão à disposição do Poder Judiciário. A PC-AM continua as investigações para identificar se farmácias ou outros profissionais colaboravam com o fornecimento do estoque ilegal.


