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Três servidores da Amazonprev são afastados em investigação da PF sobre irregularidades em R$ 390 milhões

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Três servidores da Amazonprev são afastados em investigação da PF sobre irregularidades em R$ 390 milhões

Amazonas – A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) a operação “Sine Consensu”, que investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos milionários da Amazonprev, o fundo de previdência dos servidores públicos do Amazonas. Três servidores foram afastados cautelarmente por decisão da Justiça Federal.

Entre os investigados estão o ex-gestor de recursos e coordenador do Comitê de Investimentos, Claudinei Soares; o diretor de Administração e Finanças da Amazonprev, Cláudio Marins de Melo; e o ex-diretor de Previdência André Luis Bentes de Souza. Também é investigado o empresário Sávio Loyola e Silva, proprietário da empresa Alfa A Consultoria e Gestão de Frota Ltda, sediada em Niterói (RJ).

Além do afastamento por 90 dias, a Justiça Federal autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Manaus e no Rio de Janeiro.

A investigação teve origem em uma auditoria do Ministério da Previdência, que identificou operações consideradas suspeitas envolvendo investimentos em instituições financeiras privadas.

Segundo a Polícia Federal, entre junho e setembro de 2024, a Amazonprev aplicou cerca de R$ 390 milhões em Letras Financeiras de bancos privados, mesmo diante de recomendações contrárias do Comitê de Investimentos da instituição.

As apurações apontam fragilidades no processo decisório, falhas de governança, descumprimento de normas de gestão previdenciária e possível prática de crimes como gestão temerária e corrupção ativa e passiva.

De acordo com a investigação, Claudinei Soares teria sido o principal responsável pela ordenação e execução das aplicações. Ele teria determinado investimentos de grande valor sem deliberação prévia do colegiado e realizado fracionamento de operações para contornar limites administrativos.

Já Cláudio Marins de Melo teria participado das operações ao autorizar e posteriormente ratificar as aplicações, mesmo diante de irregularidades procedimentais e ausência de aprovação formal nas instâncias colegiadas.

André Luis Bentes de Souza, por sua vez, integrou a cadeia decisória ao participar das deliberações no Comitê de Investimentos e atuar no credenciamento de instituições financeiras emissoras dos títulos, especialmente dos bancos Master e C6.

Investimentos sob suspeita

A auditoria do Ministério da Previdência identificou cinco operações consideradas suspeitas. Entre elas estão aplicações de R$ 50 milhões no Banco Master, em junho de 2024, e outros R$ 50 milhões no Banco Daycoval, em agosto do mesmo ano.

Também foram identificados investimentos de R$ 40,7 milhões no banco BTG Pactual, em setembro de 2024, além de duas operações de R$ 125 milhões cada no banco C6 Consignado, realizadas no mesmo mês.

Segundo a Polícia Federal, em alguns casos as aplicações foram feitas sem aprovação formal da diretoria ou do Comitê de Investimentos e até mesmo com instituições que não estavam credenciadas junto ao Ministério da Previdência.

As investigações apontam ainda que as operações foram intermediadas principalmente pelas corretoras Terra Investimentos e Mirae Asset, utilizadas de forma reiterada sem demonstração de critérios objetivos para escolha ou comparação de custos e riscos.

A Polícia Federal afirma que houve esvaziamento do Comitê de Investimentos, concentração das decisões em poucos gestores e exposição dos recursos previdenciários a riscos elevados. Para a Justiça Federal, o afastamento cautelar dos servidores é necessário para garantir a ordem pública e preservar a instrução criminal.


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