“Tren de Aragua”: facção venezuelana citada por Trump tem membros no Amazonas, Roraima e mais 5 estados do Brasil; veja vídeo
Brasil – O Tren de Aragua, a maior e mais impiedosa organização criminosa da Venezuela, consolidou sua expansão em solo brasileiro e já marca presença em ao menos seis estados. Embora o epicentro da operação esteja em Roraima, a facção estendeu seus tentáculos para o Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A periculosidade do grupo ganhou holofotes mundiais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citar a facção como peça-chave para justificar a operação militar que resultou no sequestro e prisão de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3/1). Atualmente detido no Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, Maduro é acusado de chefiar uma estrutura de narcoterrorismo que utilizava o Tren de Aragua para aterrorizar comunidades e facilitar o tráfico de drogas internacional.
“Maduro enviou gangues, assassinas e selvagens, incluindo a Sangrenta Gangue de Trem de Aragua, para aterrissar comunidades americanas. Eles tomavam complexos de apartamentos, cortavam dedos de pessoas. Eles não serão mais brutais agora”, declarou Trump ao justificar a ação.
🚨 NOW – PRESIDENT TRUMP: “Americans like 12-year-old Jocelyn Nungaray from Houston…kidnapped, assaulted and m*rdered by Tren de Aragua ANIMALS. They m*rdered Jocelyn, and left her dead under the bridge.”
Infuriating.
“Maduro emptied their prisons and sent their WORST… pic.twitter.com/hGtYrQfMIu
— Eric Daugherty (@EricLDaugh) January 3, 2026

Em solo brasileiro, a porta de entrada foi Roraima. Segundo o delegado Wesley Costa Oliveira, titular da Draco (Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas) de Roraima, os criminosos infiltraram-se a partir de 2016 disfarçados de refugiados.
O que começou como uma presença tímida em Boa Vista evoluiu para uma disputa sangrenta por território. Entre 2020 e 2021, o número de assassinatos na capital roraimense saltou de 90 para 127, reflexo direto da guerra do bando contra rivais locais para estabelecer pontos de venda de cocaína.
No Amazonas, a facção aproveita a complexa logística fluvial para escoar drogas vindas da Colômbia. Em Manaus, o Tren de Aragua atua como um braço logístico estratégico, conectando rotas internacionais ao mercado interno brasileiro.
Alianças com o PCC e Comando Vermelho
Diferente de outras gangues estrangeiras, o Tren de Aragua adotou uma postura de “diplomacia do crime”. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o grupo não busca apenas o confronto, mas a parceria. Relatórios de inteligência indicam que os venezuelanos tornaram-se os principais fornecedores de armas para o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).
Além do armamento, a facção garante o transporte de cargas de cocaína colombiana que atravessam o território venezuelano antes de chegar aos portos brasileiros, de onde seguem para a Europa e Estados Unidos.
O Rastro de Sangue: Tráfico Humano e Cemitérios Clandestinos
A face mais cruel do Tren de Aragua no Brasil, no entanto, é o tráfico de mulheres. Aproveitando-se da vulnerabilidade extrema de imigrantes venezuelanas que fogem da fome, a facção as recruta com falsas promessas de emprego, apenas para escravizá-las em redes de prostituição.
As vítimas são submetidas a “dívidas” impagáveis com o bando. Aquelas que tentam resistir ou que não geram o lucro esperado são executadas de forma bárbara para servir de exemplo. No final de 2024, a Polícia Civil localizou um cemitério clandestino em Boa Vista com 10 corpos; entre eles, cinco mulheres com sinais de desmembramento — a marca registrada da crueldade do grupo.
Estados com presença confirmada do Tren de Aragua:
Roraima: Base principal e porta de entrada.
Amazonas: Eixo logístico de transporte de drogas e armas.
São Paulo: Aliança com a cúpula do PCC.
Rio de Janeiro: Parceria com o Comando Vermelho.
Minas Gerais: Expansão de rotas terrestres.
Santa Catarina / Rio Grande do Sul: Monitoramento de células ligadas à lavagem de dinheiro e logística regional.
A investigação sobre o paradeiro de outros membros “diplomáticos” da facção continua, enquanto o governo brasileiro reforça o monitoramento das fronteiras após a queda de Maduro na Venezuela.



