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“Tren de Aragua”: facção venezuelana citada por Trump tem membros no Amazonas, Roraima e mais 5 estados do Brasil; veja vídeo

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“Tren de Aragua”: facção venezuelana citada por Trump tem membros no Amazonas, Roraima e mais 5 estados do Brasil; veja vídeo

Brasil – O Tren de Aragua, a maior e mais impiedosa organização criminosa da Venezuela, consolidou sua expansão em solo brasileiro e já marca presença em ao menos seis estados. Embora o epicentro da operação esteja em Roraima, a facção estendeu seus tentáculos para o Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A periculosidade do grupo ganhou holofotes mundiais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citar a facção como peça-chave para justificar a operação militar que resultou no sequestro e prisão de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3/1). Atualmente detido no Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, Maduro é acusado de chefiar uma estrutura de narcoterrorismo que utilizava o Tren de Aragua para aterrorizar comunidades e facilitar o tráfico de drogas internacional.

“Maduro enviou gangues, assassinas e selvagens, incluindo a Sangrenta Gangue de Trem de Aragua, para aterrissar comunidades americanas. Eles tomavam complexos de apartamentos, cortavam dedos de pessoas. Eles não serão mais brutais agora”, declarou Trump ao justificar a ação.

A Invasão Silenciosa em Roraima e Amazonas

Em solo brasileiro, a porta de entrada foi Roraima. Segundo o delegado Wesley Costa Oliveira, titular da Draco (Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas) de Roraima, os criminosos infiltraram-se a partir de 2016 disfarçados de refugiados.

O que começou como uma presença tímida em Boa Vista evoluiu para uma disputa sangrenta por território. Entre 2020 e 2021, o número de assassinatos na capital roraimense saltou de 90 para 127, reflexo direto da guerra do bando contra rivais locais para estabelecer pontos de venda de cocaína.

No Amazonas, a facção aproveita a complexa logística fluvial para escoar drogas vindas da Colômbia. Em Manaus, o Tren de Aragua atua como um braço logístico estratégico, conectando rotas internacionais ao mercado interno brasileiro.

Alianças com o PCC e Comando Vermelho

Diferente de outras gangues estrangeiras, o Tren de Aragua adotou uma postura de “diplomacia do crime”. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o grupo não busca apenas o confronto, mas a parceria. Relatórios de inteligência indicam que os venezuelanos tornaram-se os principais fornecedores de armas para o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).

Além do armamento, a facção garante o transporte de cargas de cocaína colombiana que atravessam o território venezuelano antes de chegar aos portos brasileiros, de onde seguem para a Europa e Estados Unidos.

O Rastro de Sangue: Tráfico Humano e Cemitérios Clandestinos

A face mais cruel do Tren de Aragua no Brasil, no entanto, é o tráfico de mulheres. Aproveitando-se da vulnerabilidade extrema de imigrantes venezuelanas que fogem da fome, a facção as recruta com falsas promessas de emprego, apenas para escravizá-las em redes de prostituição.

As vítimas são submetidas a “dívidas” impagáveis com o bando. Aquelas que tentam resistir ou que não geram o lucro esperado são executadas de forma bárbara para servir de exemplo. No final de 2024, a Polícia Civil localizou um cemitério clandestino em Boa Vista com 10 corpos; entre eles, cinco mulheres com sinais de desmembramento — a marca registrada da crueldade do grupo.

Estados com presença confirmada do Tren de Aragua:

Roraima: Base principal e porta de entrada.

Amazonas: Eixo logístico de transporte de drogas e armas.

São Paulo: Aliança com a cúpula do PCC.

Rio de Janeiro: Parceria com o Comando Vermelho.

Minas Gerais: Expansão de rotas terrestres.

Santa Catarina / Rio Grande do Sul: Monitoramento de células ligadas à lavagem de dinheiro e logística regional.

A investigação sobre o paradeiro de outros membros “diplomáticos” da facção continua, enquanto o governo brasileiro reforça o monitoramento das fronteiras após a queda de Maduro na Venezuela.


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