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Sobrinhos de senador do AM estariam supostamente na lancha com Ruan antes de técnico de enfermagem cair e se afogar

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Sobrinhos de senador do AM estariam supostamente na lancha com Ruan antes de técnico de enfermagem cair e se afogar

Manaus – A trágica morte do técnico de enfermagem Ruan Silveira Ferreira, de 27 anos, ocorrida na manhã do último sábado (11) na Praia da Lua, no Rio Negro, ganha contornos cada vez mais obscuros e levanta graves suspeitas de omissão de socorro e tráfico de influência. O que inicialmente foi registrado como um afogamento acidental revela, aos poucos, indícios de uma possível rede de proteção envolvendo familiares de figuras poderosas da política amazonense.

A Dinâmica do Incidente e a Omissão de Socorro

De acordo com as apurações, Ruan não estava sozinho no momento da tragédia. O jovem encontrava-se em uma lancha acompanhado por outras três pessoas. Informações preliminares indicam que o grupo estaria consumindo substâncias em cilindros de gás, popularmente conhecidos como “balões”.

Sob o suposto efeito dessas substâncias, Ruan teria perdido a consciência e caído da embarcação nas águas do Rio Negro. No entanto, o que choca as autoridades e a população não é apenas o acidente em si, mas a reação dos acompanhantes: em vez de prestarem socorro imediato ao técnico de enfermagem, os ocupantes da lancha teriam fugido do local, abandonando a vítima à própria sorte.

O Resgate e o Relato de Quem Encontrou o Corpo

O abandono por parte dos ocupantes da lancha fica ainda mais evidente com os detalhes do resgate. O corpo de Ruan não foi retirado da água por seus acompanhantes, mas sim por banhistas e populares que estavam na Praia da Lua.

Em imagens registradas no local logo após a retirada da vítima da água, o rapaz que narra a cena detalha exatamente onde e como Ruan foi achado. Apontando para o rio, ele relata: “Ele morreu lá no toco daquela árvore lá, manão. Ele chegou aqui de uma festa”. O popular também confirmou que foram terceiros que mergulharam para resgatar o enfermeiro, que já estava submerso: “Daí os menino que tiraram ele, tava lá no fundo lá. Veio nessa lancha aqui, ó”, disse ele, referindo-se à embarcação que o grupo utilizava.

Enquanto a vítima estava estendida na areia, outro homem ao fundo articulava por telefone a chegada da perícia, afirmando que iria acompanhar o corpo para entregá-lo à polícia, demonstrando que a gestão da crise ficou nas mãos de desconhecidos, e não de quem estava com o jovem.

Frieza Chocante: O Diálogo Pós-Tragédia

A tese de que os ocupantes não se importaram com a vida de Ruan ganha força através de relatos contundentes de testemunhas que presenciaram a movimentação após o ocorrido. A equipe de reportagem teve acesso ao trecho de uma conversa que expõe a frieza de uma das supostas ocupantes da embarcação.

Segundo a testemunha, o diálogo com a mulher foi estarrecedor: “Teve um mulher que falou ate assim: Eu avisei ele, ele não me ouviu l, eu vi ele afogando. E eu falei p ela, pq a senhora não fez nada?”

O relato evidencia que a queda e o subsequente afogamento de Ruan foram presenciados, mas nenhuma atitude efetiva de resgate foi tomada pelos que dividiam a lancha com ele.

Sobrenomes de Peso e Suspeita de Acobertamento

A indignação popular em torno do caso cresce à medida que as identidades dos supostos envolvidos começam a vir à tona. Fontes apontam que duas das pessoas que estavam na lancha seriam sobrinhos de um senador do estado do Amazonas. O terceiro ocupante foi identificado, até o momento, apenas como Bruno.

A presença de familiares de políticos da alta cúpula levanta a grave suspeita de que o caso esteja sendo deliberadamente acobertado. Um dos indícios mais fortes dessa possível interferência é o desaparecimento ou a retenção de provas cruciais. As imagens do circuito de segurança da Marina do Tauá, local de onde a lancha teria partido e que poderiam registrar o embarque e a identidade exata de todos os ocupantes, misteriosamente ainda não foram entregues às autoridades policiais.

Silêncio das Autoridades

Até o momento, a Polícia Civil do Amazonas não se manifestou oficialmente sobre as denúncias de envolvimento de parentes de políticos e sobre a possível retenção das imagens de segurança. A sociedade aguarda respostas claras e uma investigação transparente, livre de pressões políticas, para que as circunstâncias da morte de Ruan Silveira Ferreira sejam totalmente esclarecidas e os responsáveis pela omissão sejam levados à justiça.


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