Saiba quem são os presos acusados de atirar na perna de capitão da PM em Manaus

Amazonas – Na noite da última quinta-feira (3), as forças de segurança do Amazonas prenderam Guilherme Herculano Andrade, de 21 anos, e Eduardo Souza da Costa, de 31 anos. A dupla é apontada como autora do ataque a tiros contra um capitão da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), ocorrido no bairro Novo Israel, Zona Norte de Manaus.
O crime foi registrado por volta das 17h30, na Rua Jericó. O oficial trabalhava na equipe precursora de segurança para um comício político quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram os disparos, atingindo o capitão na perna direita.
Menos de quatro horas após o atentado, guarnições das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), com o apoio da Casa Militar e do Departamento Integrado de Operações Aéreas (DIOA), localizaram os suspeitos em uma residência na Rua Jacó, no mesmo bairro, após receberem denúncias anônimas.
Com Guilherme e Eduardo, a polícia apreendeu três pistolas calibre 9 milímetros, sete carregadores, 77 munições (entre intactas e deflagradas), além de três tabletes e 12 porções de oxi, três porções de cocaína, duas balanças de precisão e dois celulares.
O “breque” do tráfico e o contexto político
O atentado expõe uma escalada de tensão envolvendo as eleições e a criminalidade. Antigamente, o governador Wilson Lima e o candidato Roberto Cidade conseguiam entrar e fazer campanha normalmente nas comunidades e favelas da capital. Agora, no entanto, após um suposto desacordo com o tráfico local, ambos foram “brecados” pelo crime organizado. Uma das vertentes de indagação sobre o que teria motivado esse conflito, seria o suposto arrocho de drogas envolvendo milícias ligadas ao alto poder.
Essa proibição já vinha se desenhando nos bastidores. Recentemente, um comunicado atribuído ao Comando Vermelho (CV) circulou impondo restrições diretas para que as campanhas de Wilson Lima e Tadeu de Souza não adentrassem “becos e vielas”. O texto da facção determinava que parentes e membros do grupo paralisassem qualquer apoio a esses políticos.
A motivação do atentado foi reforçada por declarações informais dos próprios suspeitos no momento da prisão. Em vídeos da abordagem, um dos homens admitiu que o objetivo da ação armada era impedir o evento eleitoral: “Era pra parar com o comício lá, eles falaram pra mim, senhor”.
Ele também relatou que o ataque envolvia outras figuras conhecidas pelos apelidos de “Macaco” e “Gordinho”. Segundo a versão do preso, “Gordinho” tinha a orientação de atirar apenas para o alto para dispersar a multidão, mas acabou disparando na direção do capitão. O homem também confirmou o veto às atividades de um dos políticos no bairro: “Não pode ter do Roberto Cidade, mas os outros podem ter”.
As forças de segurança apuram a informação de que a ordem para o ataque tenha partido de lideranças criminosas ligadas ao Rio de Janeiro. Guilherme, Eduardo e todo o material apreendido foram encaminhados ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A Polícia Civil segue investigando a participação de cada envolvido e a autoria intelectual por trás do veto armado às campanhas.

