Roberto Cidade e Wilson Lima tratam policiais como descartáveis, jogando os PMs pra levar tiro do CV enquanto eles pedem voto

Manaus – A noite da última quinta-feira (3) expôs, de forma brutal e sangrenta, a realidade da segurança pública no Amazonas: o Estado foi entregue de bandeja ao crime organizado. O capitão da Polícia Militar do Amazonas, Israel Queiroz, foi baleado na perna por dois criminosos em uma moto na rua Jericó, em pleno comício do União Brasil no bairro Novo Israel, zona Norte de Manaus. O evento servia de palanque para o governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade, e o ex-governador e candidato ao Senado, Wilson Lima. O episódio não é apenas uma tragédia da violência urbana; é a prova cabal de que a atual gestão trata seus policiais como peças completamente descartáveis.
A tragédia era mais do que anunciada: o Comando Vermelho (CV) já tinha avisado. No dia 25 de agosto, uma nota atribuída à facção criminosa circulou nas redes sociais impondo uma proibição direta à realização de atos de campanha nas áreas periféricas. O texto, direcionado aos “irmãos e irmãs”, utilizava a gíria criminosa “brecada” para decretar que estava proibida a entrada em “todos os becos e vielas” para qualquer tipo de apoio a Wilson Lima e Tadeu de Souza. Além disso, o comunicado exigia que os membros da facção instruíssem seus parentes a paralisarem imediatamente qualquer ação favorável a eles em todo o Amazonas.
Diante de uma ameaça clara, que escancara a tentativa do crime organizado de interferir na segurança pública e impor um poder paralelo ao Estado, a postura de um governo sério seria imediata. Ao invés de Roberto Cidade orientar a polícia a deflagrar uma verdadeira operação de libertação dessas favelas das mãos do crime, a escolha foi a pior possível: a politicagem. Eles simplesmente ignoraram o alerta e continuaram fazendo comícios nessas áreas dominadas.
O resultado dessa irresponsabilidade é que eles, intencionalmente, arriscaram a vida dos policiais militares. Esses agentes de segurança, muitas vezes obrigados a estarem ali, inclusive fora de seus horários de trabalho para fazer a segurança pessoal de políticos, foram colocados na linha de frente do perigo. Roberto Cidade e Wilson Lima, na prática, usaram os PMs como escudos humanos. Jogaram a corporação no meio de uma zona de conflito avisada para levar tiro do CV, sangrar no asfalto, enquanto eles, blindados por suas equipes, continuavam com o microfone na mão implorando por votos.
A verdade nua e crua é o abandono absoluto das forças de segurança. Nossos policiais estão sendo deixados à própria sorte, sem estrutura e sem o mínimo de respeito por suas vidas. O que mais revolta é a hipocrisia das campanhas eleitorais. Roberto Cidade e Wilson Lima fizeram incontáveis promessas de segurança no passado, não cumpriram absolutamente nada, e agora sobem novamente nos palanques reciclando as mesmas mentiras, prometendo mundos e fundos como se o povo e a tropa fossem bestas.
Se um capitão da PM pode ser baleado em plena região onde ocorre um evento com as maiores figuras políticas do Estado, que segurança resta para o trabalhador comum que precisa sair de casa todos os dias? A violência que atingiu o Capitão Israel Queiroz é o reflexo de um Amazonas que disputa espaço com o medo. Já passou da hora de os governantes pararem de usar a Polícia Militar como bucha de canhão e descartável para sustentar seus projetos de poder.

