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Professoras usam Grêmio Estudantil para forjar protesto e abafar denúncias contra diretor acusado de ser predador sexual de alunos em Manaus; vídeo

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Professoras usam Grêmio Estudantil para forjar protesto e abafar denúncias contra diretor acusado de ser predador sexual de alunos em Manaus; vídeo

Manaus – O pátio de uma escola deveria ser o espaço de convivência e segurança para crianças e adolescentes. No entanto, no CIME Senador Artur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho, em Manaus, o ambiente escolar foi transformado em um palco de manipulação psicológica e censura. Imagens e vídeos obtidos com exclusividade pela reportagem do CM7 revelam que o Grêmio Estudantil da instituição está sendo instrumentalizado para formar uma verdadeira “claque” em defesa do diretor, Danilo Batista de Souza. O gestor é alvo de graves denúncias na polícia por assédio sexual e aliciamento de menores.

As manifestações teriam sido realizadas nesta semana, quando as denúncias começaram a vazar para a imprensa por meio dos próprios pais dos alunos. O contraste entre as imagens da manifestação e os autos da investigação expõe um esquema perturbador de inversão de narrativa. De um lado, alunos seguram cartazes com frases como “Tem que ficar” e gritam em coro e de forma pausada, “DI-RE-TOR”. Do outro, um histórico de abusos acobertados a mão de ferro: estudantes que tentaram quebrar o silêncio e denunciar as atitudes do diretor foram sumariamente expulsos da escola antes mesmo que o escândalo chegasse à mídia.

Censura, Expulsões e a “Fachada” do Grêmio

A manifestação que pede a permanência de Danilo, longe de ser um movimento orgânico de admiração, é apontada por fontes internas como uma manobra orquestrada. Professoras aliadas ao diretor estariam “fazendo a cabeça” de pais e alunos, utilizando os adolescentes como escudos humanos para blindar o gestor do escrutínio público e das investigações da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).

A coordenação desses atos passa diretamente pelo Grêmio Estudantil (gestão 2025-2027), que, segundo as denúncias, operava sob um clima de medo e servia como território de caça para o diretor. O controle exercido sobre a entidade era absoluto.

“A gente sabia de coisas que não podia espalhar. Se a gente ousasse falar, ia ter punições”, revelou uma ex-aluna que ocupou cargo de diretoria no grêmio.

A punição máxima era a expulsão. A reportagem apurou que a administração da escola utilizou o desligamento de alunos como ferramenta de terror institucional para silenciar qualquer tentativa de denúncia, garantindo que o diretor mantivesse sua imagem ilibada perante a Secretaria de Educação enquanto assediava jovens nos corredores.

O “Perfil Dix” e a Proposta de Trisal

A denúncia formal que fez o esquema ruir foi registrada no dia 15 de abril de 2026 (BO nº 00114911/2026), quando o pai de um adolescente de 16 anos procurou a polícia. O garoto era vítima de Danilo desde que cursava o 9º ano.

O modus operandi do gestor envolvia o uso de um perfil secundário no Instagram (conhecido como “dix”), restrito e oculto dos olhos do grande público. Foi através dessa conta que o escândalo ganhou contornos ainda mais repugnantes. Em capturas de tela anexadas à investigação, o diretor insiste para que um aluno leve uma colega ao seu apartamento, localizado em um condomínio. A intenção, descrita abertamente pelo educador, era a formação de um “trisal” com os menores de idade.

Quando o adolescente hesitou, argumentando que o pai da menina era rígido e a situação arriscada, Danilo rebateu com a frieza de quem está acostumado à impunidade: “De vez em quando ela está por aqui. Dar perdido ela sabe muito bem… E nunca impediu de vocês transarem”.

Uma Rede de Cumplicidade

A blindagem a Danilo Batista de Souza revela um problema sistêmico. Relatos indicam que o diretor já havia sido alvo inúmeras denúncias internas, todas sistematicamente apagadas ou ignoradas. Profissionais da educação, cientes das saídas furtivas do diretor com alunos para dentro de banheiros e do favoritismo regado a presentes e caronas, optaram por “passar pano” por medo de retaliações ou, pior, por cumplicidade.

Agora, com o caso nas mãos da Polícia Civil e a repercussão inevitável, a encenação no pátio do CIME Senador Artur Virgílio tenta desesperadamente salvar o que resta da imagem do gestor. Contudo, as provas digitais e os relatos das vítimas e dos alunos expulsos mostram que os gritos de “tem que ficar” entoados pelos adolescentes são, na verdade, o som de um sistema que falhou miseravelmente em protegê-los.


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