Polícia Civil detalha operação após morte de investigador do Denarc e confirma cinco prisões no Amazonas
Manaus – A Polícia Civil do Amazonas apresentou, nesta segunda-feira (27), novos detalhes sobre a operação que terminou com a morte do investigador Luciano Carvalho de Sena, lotado no Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc). Durante coletiva de imprensa transmitida ao vivo, a corporação informou que cinco pessoas foram presas e que um dos principais suspeitos morreu durante uma intervenção policial.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou há aproximadamente três meses e tinha como alvo uma rede suspeita de transportar drogas por via fluvial até Manaus. Durante esse período, os investigadores identificaram imóveis que seriam utilizados pelo grupo para armazenar entorpecentes e passaram a acompanhar a movimentação dos envolvidos.
No dia da ocorrência, o principal investigado estava sendo monitorado por uma equipe que incluía Luciano. Conforme a versão apresentada pelos delegados, os policiais teriam flagrado uma entrega de drogas e tentado realizar a abordagem. O suspeito, que estava acompanhado da namorada, teria recusado a ordem de parada e efetuado um disparo contra o investigador.
Luciano foi atingido na região do pescoço e morreu após ser socorrido. Segundo a Polícia Civil, a companheira do suspeito confirmou em depoimento que o disparo teria sido realizado por ele e apresentou informações sobre a fuga após o confronto.
Cerca de uma tonelada de drogas apreendida
Após o ataque, as equipes seguiram até um imóvel no condomínio Quinta das Marinas, apontado pela investigação como residência do suspeito. No local, os policiais afirmam ter encontrado aproximadamente 840 quilos de entorpecentes.
Outros 160 quilos teriam sido apreendidos durante a entrega acompanhada pelos investigadores, elevando o total para cerca de uma tonelada.


“Lá nós encontramos 840 quilos de drogas. Cento e sessenta quilos estavam na entrega, totalizando uma tonelada”, declarou um dos responsáveis pelo Denarc.
A investigação reúne suspeitas de homicídio, tráfico de drogas, associação para o tráfico e adulteração de sinal identificador de veículo. Até o momento, seis pessoas foram diretamente relacionadas ao caso: cinco permanecem presas e uma morreu durante a ação policial.
A participação de um policial militar

Entre os presos está um policial militar investigado por possível participação na estrutura criminosa. Segundo os delegados, o veículo atribuído a ele teria sido visto fazendo a escolta do principal suspeito durante entregas de drogas.
“Ele foi visto, por meio do veículo, fazendo escolta juntamente com o traficante na hora das entregas”, afirmou um dos delegados. A corporação ressaltou que a participação de cada investigado ainda será demonstrada no inquérito e analisada pela Justiça.
Representantes da corporação também afirmaram que a conduta atribuída ao policial preso não representa a Polícia Militar como instituição.
“Esse criminoso, travestido de policial militar, não é reconhecido pela própria instituição como alguém que represente o papel da polícia”, declarou um dos delegados.
Buscas avançaram até região próxima de Itacoatiara
A Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) também participou das diligências. Os agentes foram divididos em grupos para verificar possíveis esconderijos em áreas urbanas e rurais durante a noite e a madrugada.
Uma das buscas levou a equipe até uma propriedade próxima a Itacoatiara. De acordo com o comandante da operação, o imóvel ficava perto de um rio e havia uma embarcação preparada para uma possível fuga.
“Era um local em que havia um grande descampado até o acesso à casa, bem como um rio bem próximo, já com uma voadeira em prontidão para que ele pudesse se deslocar”, relatou o comandante da Core.
Para chegar ao local sem serem percebidos, os policiais atravessaram cerca de 1,5 quilômetro de mata fechada com equipamentos de visão noturna e drones. Depois, percorreram rastejando aproximadamente 400 metros por uma área aberta até se aproximarem da residência.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito tentou fugir ao perceber o cerco e morreu durante uma intervenção policial. A dinâmica completa do confronto deverá ser analisada em procedimento próprio.
Investigação continua
A Polícia Civil declarou que a organização teria ligações com o tráfico interestadual e transnacional, recebendo entorpecentes da região de fronteira para distribuição em Manaus e envio a outros estados e países.

“Essa droga vinha de fora, vinha da região da fronteira, era escoada parte dela em Manaus e daqui saía para outros estados e para outros países”, afirmou o delegado-geral.
Durante a coletiva, o delegado-geral reforçou que as investigações continuarão para identificar outros possíveis integrantes da organização.
“Isso não acabou aqui. Não vai acabar até que o último seja preso”, declarou.
A Polícia Civil permanece em luto pela morte de Luciano Carvalho de Sena. A instituição informou que seguirá reunindo depoimentos, imagens, dados de inteligência e outras provas para definir a responsabilidade de cada pessoa envolvida.


