Operação ‘Vectura Corrupta’ investiga infiltração do PCC no Transporte Público de São Paulo; veja vídeo
Brasil – A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (17/9) a Operação Vectura Corrupta, com o objetivo de desmantelar um complexo esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital no sistema de transporte público e na esfera política do estado. As autoridades cumprem 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em endereços na capital paulista, Região Metropolitana e Baixada Santista, resultando na prisão de nove suspeitos até o momento. A ação é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024, que inicialmente mapeou a rede de comunicação da facção criminosa e um projeto de inserção de agentes nas eleições municipais.
As investigações apontam para uma profunda contaminação das concessionárias de transporte coletivo pelo crime organizado. Na cidade de São Paulo, a polícia estima que pelo menos 12 das 22 empresas de ônibus em operação sejam controladas direta ou indiretamente pelo grupo criminoso. O esquema operava por meio de uma estrutura articulada que combinava o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações para a obtenção de contratos emergenciais, apoio político e lavagem de capitais. Os verdadeiros donos das empresas se escondiam atrás de sócios formais, que atuavam como laranjas, enquanto o dinheiro ilícito era injetado no setor de mobilidade através da compra e negociação de frotas inteiras de veículos.
Essa engrenagem financeira e burocrática contava com o suporte operacional da chamada Sintonia dos Gravatas, um núcleo composto por advogados que extrapolavam os limites éticos da profissão para intermediar contratos, atuar em licitações e fornecer infraestrutura para o bando. Além do domínio econômico, as autoridades identificaram um intenso envolvimento da facção no financiamento de campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores no pleito de 2024. O objetivo estratégico do grupo era garantir facilidades no setor de transportes públicos, cooptando agentes em posições de poder para atender aos interesses da criminalidade.
A operação desta quinta-feira mirou figuras proeminentes do cenário político paulista. O candidato a deputado estadual Danilo Morgado, do PL, foi preso sob a suspeita de ter sua campanha financiada pela organização. O ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo, Milton Leite, também teve a prisão decretada, sendo apontado pelos investigadores como o verdadeiro proprietário da viação Transwolf. A rede de contatos incluía ainda ex-gestores do sistema público, como Levi dos Santos Oliveira, ex-servidor da SPTrans, suspeito de participar de encontros periódicos com membros da cúpula do esquema.
Em sua defesa, Milton Leite negou ser um foragido da Justiça e afirmou que estava em uma viagem de campanha eleitoral com um dos filhos, prometendo se apresentar às autoridades em 24 horas. O ex-parlamentar rechaçou qualquer ligação com a facção e justificou que os encontros mencionados com o ex-servidor da SPTrans ocorreram de forma republicana, quando assumiu como prefeito em exercício na gestão de Bruno Covas para resolver impasses de mobilidade. A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, declarou em nota que já havia determinado intervenção nas empresas Transwolff e UPBus em abril de 2024 para proteger o sistema municipal. A administração municipal ressaltou que encerrou contratos de forma rigorosa, abriu processos de responsabilização por meio da Controladoria Geral do Município e segue colaborando ativamente com as apurações do Ministério Público e da Polícia Civil.

