Operação Usura: PM e três advogados são alvos por suspeita de integrar grupo de agiotas em Manaus ; veja vídeo

Manaus – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta segunda-feira (27) a Operação Usura. A ação, realizada com o apoio da Polícia Civil, tem como objetivo desarticular uma organização criminosa investigada por crimes de agiotagem, extorsão e organização criminosa.
A investigação teve início há cerca de quatro meses, após uma denúncia feita por uma servidora do Poder Judiciário, que relatou a atuação do grupo contra servidores públicos. A partir das apurações, o Gaeco identificou uma estrutura organizada voltada à concessão de empréstimos com cobrança de juros abusivos e ao uso de intimidação para garantir o pagamento das dívidas.
As ações da operação começaram na última quarta-feira (22), quando um policial militar, investigado por integrar o grupo criminoso, foi preso. Nesta segunda-feira, foi cumprida a fase principal da operação, com o cumprimento dos demais mandados judiciais expedidos pela Justiça.
De acordo com o coordenador do Gaeco e do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo), promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, as investigações são conduzidas pelo promotor André Epifânio, com o apoio dos demais integrantes do grupo, e continuarão para identificar toda a extensão da atuação da organização criminosa e responsabilizar todos os envolvidos.
Cumprimento de mandados
Ao todo, 24 pessoas físicas e jurídicas são investigadas. Nesta etapa da operação, a Justiça expediu dois mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão. Um dos alvos da prisão não foi localizado e é considerado foragido.
As equipes também cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis situados nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores, em Manaus.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, duas pessoas foram presas em flagrante, sendo uma delas pelo crime de desacato.
Investigação
Entre os investigados estão um policial militar e três advogados. Os escritórios dos profissionais também foram alvo das buscas por estarem diretamente vinculados aos investigados.
As investigações apontam que a organização criminosa concedia empréstimos de até R$ 200 mil por vítima, cobrando juros mensais que variavam entre 30% e 70%. Conforme os elementos reunidos pelo Gaeco, a cobrança das dívidas era feita por meio de intimidação psicológica.
Até o momento, inúmeras vítimas já foram identificadas, sendo a maioria formada por servidores do Poder Judiciário. Ainda não é possível estimar o prejuízo financeiro causado pelo esquema nem determinar o período exato de atuação da organização criminosa.
Apreensões
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos dois veículos, dinheiro em espécie, joias, documentos e aparelhos celulares. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias dos investigados.

Preliminarmente, cerca de R$ 160 mil em dinheiro foram encontrados durante a operação, valor que ainda será submetido à conferência oficial.
As investigações seguem em sigilo para aprofundar a apuração dos fatos, identificar todas as vítimas, dimensionar os prejuízos provocados pelo grupo criminoso e verificar a possível participação de outros envolvidos na organização.


