Brasília Amapá Roraima Ceará Pará |
Manaus
32º

“Não subestimem os sinais”: amiga de infância desabafa sobre feminicídio de amazonense morta pelo marido na Espanha e faz alerta a mulheres; vídeo

Compartilhe
“Não subestimem os sinais”: amiga de infância desabafa sobre feminicídio de amazonense morta pelo marido na Espanha e faz alerta a mulheres; vídeo

Manaus – A dor da perda de uma amiga da época da escola costuma trazer memórias de afeto, mas, para a jornalista manauara Flávia Moura, essas lembranças vieram acompanhadas de revolta e indignação. Amiga de infância da amazonense Camila Kellem da Silva Caldas, de 34 anos, assassinada a facadas pelo próprio marido em Barcelona, na Espanha, Flávia transformou o luto em um alerta contundente sobre a raiz da violência de gênero nesta quinta-feira (30/7).

A jornalista, que estudou com Camila no tradicional Colégio Santa Teresinha, em Manaus, publicou um desabafo em vídeo onde questiona a normalização de comportamentos abusivos nos relacionamentos. Veja vídeo:

“Camila sempre foi muito doce, muito gentil, muito educada. Fato é que a gente fica perguntando até quando isso vai acontecer. Camila já faz parte agora da estatística de feminicídio. Todos os dias o número de mulheres que são mortas, que são agredidas, que são espancadas, são xingadas pelo próprio companheiro… Subestimam um tom mais elevado da voz, um xingamento: ‘Ah não, ele tá fazendo isso porque ele me ama’. Não, ele não te ama.”

O perigo de ignorar os “mínimos sinais”

Em seu relato, Flávia Moura vai direto ao ponto ao desmistificar a ideia de que agressões fatais acontecem de forma isolada ou sem avisos prévios. Ela alerta as mulheres sobre como abusos psicológicos e verbais são o preâmbulo para a violência física e o assassinato:

“E se você não der um basta, se você não cortar isso… Ele vai te matar. Ele vai te espancar, ele vai te bater, ele vai te jogar do décimo andar, ele vai te enforcar, ele vai fazer alguma coisa com você. Então se atentem aos sinais, aos mínimos, o mínimo…”, alertou a jornalista.

O apelo de Flávia ecoa a tragédia de sua amiga, que vivia na Espanha há cerca de dez anos e teve a vida interrompida de forma brutal dentro de casa, na Rua Andrade, bairro de Sant Martí. Segundo as investigações iniciais da polícia catalã (Mossos d’Esquadra) reportadas pelo jornal espanhol El País, o marido estacionou uma van em frente ao edifício e entrou no apartamento armado com uma faca, golpeando Camila na frente dos dois filhos do casal, de apenas 4 e 8 anos de idade. O homem fugiu, mas acabou preso pelas autoridades horas mais tarde.

O apelo da família e a corrida contra a burocracia

Enquanto o choque com o crime reverbera na Catalunha — onde o caso foi catalogado como o quarto feminicídio de 2026 pelo governo local —, a família de Camila em Manaus trava uma corrida contra o tempo.

Os pais da vítima viajaram para a Europa com dois objetivos primordiais: assumir a guarda dos netos, blindando as crianças de novos traumas, e buscar o corpo da filha para o velório na capital amazonense. Antes de embarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, o pai de Camila, Warney Poty Caldas, fez um pedido de apoio à sociedade:

“Quero agradecer o apoio às pessoas que já contribuíram. Não é barato o translado das crianças e do corpo da minha filha para Manaus. Quem puder ajudar, a gente está se mobilizando para fazer o velório dela aqui em Manaus e ficar com a guarda definitiva das crianças.”

Além das doações da comunidade amazonense e de brasileiros na Espanha, a família também solicitou assistência diplomática da Embaixada do Brasil para lidar com as complexas documentações de repatriação.

Um problema que exige resposta unitária

A fala de Flávia Moura sobre o ciclo da violência doméstica encontra eco até nas declarações oficiais das lideranças europeias sobre o crime. O presidente da Generalitat da Catalunha, Salvador Illa, e a ministra catalã da Igualdade e do Feminismo, Eva Menor, condenaram a brutalidade do caso, enfatizando que “a violência contra as mulheres exige uma resposta firme, unitária e constante” de toda a sociedade.

Ao expor sua dor publicamente, Flávia Moura faz exatamente o que é preciso em casos de violência de gênero: tira o crime das sombras do ambiente doméstico e lembra que por trás de cada “estatística” há uma história, uma família devastada, crianças órfãs e uma vida cortada pelo machismo.


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões Abaixo do Post

Banner 1 - Portal CM7


Carregar mais