MPAM deflagra operação contra 19 PMs por morte de jovem durante abordagem no bairro Vila da Prata; veja vídeo
Manaus – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (13/3), uma operação para investigar o envolvimento de 19 policiais militares na morte de João Paulo Maciel dos Santos. O jovem, que tinha 19 anos na época do crime, foi morto no dia 28 de outubro de 2025, no Beco Arthur Virgílio, localizado no bairro Vila da Prata, zona oeste da capital amazonense.
A ação é coordenada pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial e cumpre mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão contra os agentes de segurança envolvidos na ocorrência.
A Abordagem Registrada em Vídeo
O caso ganhou ampla repercussão após moradores filmarem a ação policial. Nas imagens, João Paulo aparece sem camisa sendo abordado por agentes. O vídeo mostra o jovem sem demonstrar qualquer tipo de resistência, colocando as mãos na cabeça e sendo revistado.
Em seguida, a gravação registra o momento em que João Paulo é levado por ao menos um policial para uma passagem na lateral de uma residência, enquanto um grupo de cerca de seis militares permanece no local inicial. Minutos depois, outros dois policiais entram no mesmo corredor e, na sequência, saem carregando um corpo enrolado em um lençol.
Versões Divergentes
A versão oficial apresentada pela Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) na época apontava que a equipe havia chegado ao local após uma denúncia anônima sobre tráfico de drogas realizado por homens armados. Segundo a corporação, ao entrarem na passagem lateral, os policiais teriam sido recebidos a tiros e revidaram. Na ação, a Polícia Militar registrou a apreensão de entorpecentes, um revólver calibre 38, duas balanças de precisão e R$ 152 em espécie.
Contudo, familiares e testemunhas rechaçam a narrativa policial. A comunidade afirma que o jovem estava desarmado e foi executado após já estar rendido.
Revolta e Confronto de Narrativas
A morte de João Paulo gerou forte comoção e revolta. Um dia após o ocorrido, familiares e amigos fecharam a Avenida Brasil, no bairro Compensa (zona oeste), em um protesto. Os manifestantes atearam fogo em pneus e pedaços de madeira, pedindo justiça. A tropa de choque da Polícia Militar foi acionada e utilizou tiros de bala de borracha para dispersar a multidão e liberar o trânsito.
Durante o ato, a mãe do jovem, Jeciara Maciel, fez um apelo emocionado:
“Mataram meu filho, hoje o enterrei. Pegaram meu filho, ele já estava rendido. Levaram ele para baixo de uma casa. Executaram meu filho. Ele desceu com vida e voltou sem vida. Eu quero Justiça pela vida do meu filho.”
O caso também gerou um embate de narrativas. Na época, o Secretário de Segurança Pública, Coronel Vinicius Almeida, declarou que o efetivo policial foi deslocado para conter uma manifestação que, segundo ele, homenageava um traficante morto em uma megaoperação no Rio de Janeiro.
A defesa da família, representada pela advogada Thayane Costa, rebateu a declaração do secretário, afirmando que a resposta do Estado foi desproporcional. “Foi uma manifestação pacífica, com moradores locais segurando cartazes. Não houve tumulto, não houve vandalismo. Tinha criança no local, e a polícia chegou atirando sem saber em quem. Foi uma ação hostil e excessiva” , destacou a advogada.


