Amazonas – Um grave episódio de perseguição política e intolerância foi registrado nas dependências da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Estudantes autodenominados de esquerda e antifascistas foram gravados hostilizando e perseguindo um aluno conservador, em um caso que envolveu intimidação em massa e até ameaça com uso de arma branca. Diante das provas em vídeo e do regimento disciplinar da instituição, os agressores podem enfrentar o desligamento definitivo da universidade.
O Caso
A denúncia ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo gravado pela própria vítima. Nas imagens, um grupo de estudantes encurrala e profere ofensas contra o jovem, chamando-o repetidamente de “fascista” e acusando-o de apoiar a privatização do ensino público e a ditadura militar. Aos gritos de “Recua, fascista, recua!”, a multidão persegue o aluno pelas escadarias e corredores da universidade até a área externa, enquanto ele repete diversas vezes que chamaria a polícia.
Segundo a denúncia publicada pelo vereador Coronel Rosses, o aluno conservador foi perseguido e ameaçado, conforme vídeo registrado pela vítima no local. Ainda segundo a denúncia, um dos estudantes agressores estaria em posse de uma arma branca para atacar o aluno de direita. A perseguição começou após a vítima retirar cartazes afixados na universidade que continham ofensas e ameaças a um parlamentar conservador na capital amazonense. A presença da arma branca foi endossada pelo vazamento de uma troca de mensagens no WhatsApp entre estudantes, na qual uma usuária responde sobre a perseguição: “foi com um facão amiga”.
A vítima, que está prestes a concluir a graduação, relatou com exclusividade ao CM7 que os agressores integram movimentos estudantis, formados majoritariamente por calouros. O aluno também destacou que a situação causou espanto até mesmo no corpo docente, afirmando que seus “professores ficaram horrorizados” ao verem a cena.
Clima de Terror e Outras Vítimas
Abalado pela exposição, o estudante revelou temer por sua integridade física e pela segurança de sua família. Ele recusou-se a expor sua identidade em canais de grande mídia pelo receio de que o grupo descubra sua residência e deprede seu patrimônio. “Esse é um risco muito grande de sei lá, aparecer uma turma de seis, sete daqueles maconheiros […] picharem a minha casa, furarem os pneus do carro do meu pai, quebrarem as vidraças aqui da frente”.
O aluno também relatou que a perseguição ideológica não se limita a ele. Outros estudantes de espectro político à direita estariam sofrendo graves retaliações no campus:
Perseguição por redes sociais: Um colega do curso de Geografia foi tachado de “nazista” pelos militantes apenas por repostar conteúdos do presidente americano Donald Trump no Instagram.
Intimidação física: Um estudante de Economia foi “escorraçado” da universidade após arrancar um adesivo da bandeira da Palestina e outro material que exibia uma suástica dentro de uma Estrela de Davi.
Evasão por medo: Devido a esses ataques, o estudante de Economia, descrito como “menor e mais magro”, está desde meados de março sem frequentar as aulas por medo de sofrer um atentado no campus.
Risco de Expulsão: O que diz o Regimento da UEA
As atitudes registradas nos vídeos e relatos são graves e vão de encontro direto às normas de convivência da universidade, podendo resultar na expulsão definitiva dos envolvidos. De acordo com o Regimento da UEA:
Art. 5º classifica como infrações disciplinares graves atitudes como opor-se à execução de ato legal mediante violência ou grave ameaça (Inciso III); expor a perigo a vida ou a saúde de outrem (Inciso IV); e constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça (Inciso XV).
Art. 6º define como circunstâncias agravantes o cometimento de infração “mediante violência ou grave ameaça, com emprego de arma”, o que se aplica diretamente ao uso do facão relatado nas denúncias.
Art. 7º estipula que a sanção disciplinar para infrações graves é a exclusão (Inciso III). Conforme o §7º, a pena implicará no desligamento do discente da Universidade e deverá ser oficializada por meio de Portaria do Reitor, não isentando o infrator de responsabilidades nas esferas civil e criminal (§6º).
Providências e Próximos Passos
O aluno confirmou que já acionou a Polícia Militar, registrou um Boletim de Ocorrência em delegacia e levou o caso à reitoria da UEA. O vereador Coronel Rosses garantiu que exigirá medidas rígidas da instituição contra os “criminosos fantasiados de estudante” e deverá se reunir na próxima segunda-feira com a alta gestão da UEA. O reitor da UEA Prof. Dr. André Luiz Nunes Zogahib foi procurado pela reportagem, mas até o momento não obtivemos retorno. O espaço permanece aberto.