Manaus entregue ao crime: Capitão da PM é baleado durante comício de Roberto Cidade e Wilson Lima

Manaus — O cenário de insegurança que assusta os amazonenses chegou ao limite na noite desta quinta-feira (3). O capitão da Polícia Militar do Amazonas Israel Queiroz foi baleado durante um comício do União Brasil no bairro Novo Israel, zona Norte de Manaus, evento que reunia o governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade, e o ex-governador e candidato ao Senado, Wilson Lima.

Segundo informações preliminares, dois homens em uma motocicleta passaram pela rua Jericó e efetuaram disparos contra o policial. O capitão foi atingido na região da perna e levado às pressas para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Não há informações sobre o estado de saúde dele.

O episódio é um retrato preocupante da realidade vivida em Manaus: em uma cidade onde a população já convive diariamente com assaltos, homicídios e ações de grupos criminosos, agora nem um capitão da Polícia Militar, que anda armado, está imune à violência — nem mesmo durante um evento político.
Enquanto lideranças do União Brasil sobem em palanques em busca de votos, o cidadão amazonense continua cobrando uma resposta concreta para a insegurança que tomou conta das ruas. O ataque desta quinta-feira coloca novamente em xeque a eficiência das políticas de segurança pública adotadas no Estado.
A situação também gera indignação entre os próprios profissionais da segurança. Se um capitão da PM pode ser baleado em plena região onde ocorre um comício político, que segurança resta para o trabalhador que sai de casa todos os dias sem qualquer proteção?
O episódio reforça as críticas de quem aponta falta de investimentos, estrutura e ações mais efetivas no enfrentamento ao crime organizado. A sensação deixada para a população é de que os criminosos estão cada vez mais ousados e não demonstram receio sequer diante da presença policial.
Manaus vive uma contradição que não pode ser ignorada: enquanto políticos disputam palanques e votos, a população disputa espaço com o medo. E, desta vez, a violência atingiu justamente um policial militar durante um ato ligado à campanha daqueles que comandam — ou pretendem continuar comandando — o Estado.

Até o momento, não há informações oficiais sobre a motivação do ataque ou sobre a identidade dos suspeitos. O caso deverá ser investigado pelas autoridades.

