Manaus e Amazonas banhados pelo sangue: latrocínios dobram e feminicídios crescem 166,6% por falta de segurança

Manaus – Esqueça as planilhas frias e os discursos ensaiados de gabinetes com ar-condicionado. A verdade nua e crua é que Manaus se transformou em uma verdadeira zona de guerra. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) registrou uma redução pífia de 4,1% nos homicídios no primeiro quadrimestre de 2026. Além disso, uma análise técnica dos dados revela um cenário ainda pior, de extrema gravidade nas ruas. O Estado enfrenta uma escalada severa em crimes que afetam diretamente a vida e o patrimônio da população: os latrocínios (roubo seguido de morte) dobraram e os feminicídios dispararam 166,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os números oficiais detalham o peso dessa violência. Das 232 mortes violentas registradas entre janeiro e abril, a capital Manaus concentra quase metade, com 109 casos. O interior também reflete o avanço da criminalidade, com Tabatinga (13), Coari (9) e Manacapuru (8) liderando os índices fora da capital. O levantamento aponta que a letalidade está diretamente ligada ao acesso a armamentos: armas de fogo foram utilizadas em 94 das ocorrências, seguidas pelo uso de armas brancas e agressões físicas. As vítimas, em 40% dos casos, estão na faixa etária entre 35 e 64 anos.

Esse quadro de insegurança altera de forma prática a rotina da população. Moradores relatam a perda do direito de ir e vir com tranquilidade, como é o caso da professora Diana Cunha, que precisou modificar seus hábitos de deslocamento pelo medo constante. E a complexidade da crise de segurança se aprofunda quando a letalidade parte de agentes do próprio Estado.

O caso do entregador Carlos André Almeida Cardoso, de 19 anos, tornou-se o emblema dessa desconfiança nas instituições. Morto na madrugada de 19 de abril após uma abordagem da Polícia Militar, o caso foi inicialmente tratado como “acidente de trânsito”. A versão, no entanto, foi tecnicamente desmentida: laudos do Instituto de Criminalística descartaram colisão, e imagens de câmeras de segurança registraram o jovem sendo cercado, agredido e alvejado por um disparo vindo de dentro de uma viatura policial. O sargento da PM Belmiro Wellington Costa Xavier foi indiciado por homicídio.
Para especialistas, o enfrentamento desse cenário exige mais do que presença nas ruas; demanda inteligência policial efetiva e ações contra problemas estruturais, como desemprego. Além disso, o impacto direto dessa violência é a falta de confiança da população nas instituições.








