Mãe desabafa após ter filho autista assassinado em Manaus: “Um pedaço de mim morreu com ele”
Manaus – Iago Victor Nascimento Colares, de 25 anos, estudante de Psicologia diagnosticado com autismo e TDAH, faleceu após ser brutalmente espancado na avenida Leopoldo Peres, no bairro Educandos, zona Sul de Manaus. O jovem havia acabado de conseguir uma oportunidade de trabalho como corretor de imóveis e saiu para comemorar a nova fase com amigos.
Segundo a família, Iago ainda publicou registros nas redes sociais depois das 22h, momento a partir do qual perderam completamente o contato com ele. A mãe da vítima, Tatiana Collares, questionou o silêncio em torno da violência, lembrando que o desaparecimento e as agressões ocorreram em uma via onde há grande fluxo de pessoas saindo das empresas no final do dia. O jovem foi encontrado gravemente ferido e socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Ele foi encaminhado ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) da Colônia Oliveira Machado, contando também com a ajuda de uma profissional da saúde que passava pelo local.
Iago deu entrada na unidade sem identificação e foi atendido inicialmente como desconhecido. Ele não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu às 1h07 da madrugada do dia 7 de setembro. Após a morte, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde a identificação foi realizada por meio das digitais. A mãe afirma que só descobriu a morte do filho no dia 8 e que não conseguiu fazer o reconhecimento pessoalmente, precisando identificar o corpo por meio de fotografia.
A ausência de respostas aumenta a angústia da família. A mãe relata a tortura de não saber o que de fato aconteceu com o rapaz, que era descrito como pacífico e não agressivo. Os familiares questionam a falta de um registro de ocorrência imediato que esclarecesse as circunstâncias em que Iago foi encontrado e o que ocorreu entre a agressão e a chegada à unidade de saúde. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) já assumiu a investigação para reconstruir os últimos momentos do jovem e identificar a autoria e a motivação do crime.
Tatiana aguarda a liberação dos documentos da perícia pelo IML para entender oficialmente a causa da morte e a extensão das lesões sofridas. Emocionada, ela agradece aos profissionais do SAMU e do SPA pela assistência prestada à família e faz um apelo veemente para que moradores e comerciantes da área disponibilizem imagens de câmeras de segurança.



