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Ligações perigosas: líder do Governo, deputado Felipe Souza e a filha apadrinharam presa por suspeita de elo com o CV na ALEAM

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Ligações perigosas: líder do Governo, deputado Felipe Souza e a filha apadrinharam presa por suspeita de elo com o CV na ALEAM

Amazonas – A prisão da ex-secretária de gabinete de liderança da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), Adriana Almeida Lima, ocorrida nesta sexta-feira (20/2), revelou tentáculos profundos do crime organizado no Poder Legislativo estadual. Alvo da Operação Erga Omnes, coordenada pela Polícia Civil do Amazonas, Adriana é apontada por relatórios de inteligência financeira como peça-chave em um esquema milionário de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV).

No entanto, para além das transações ilícitas, os bastidores da trajetória de Adriana revelam um forte apadrinhamento político ligado ao deputado estadual Felipe Souza e sua filha, a vereadora Thaysa Lippy.

A ascensão e o apadrinhamento na ALEAM

Muito antes de ocupar o cargo comissionado de Secretária de Gabinete de Liderança (a partir de 1º de março de 2024), Adriana já mantinha relações estreitas com a família do deputado Felipe Souza, com registros de presença em eventos familiares desde, ao menos, 2019.

A proximidade se transformou em cargo público. Entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2024, a investigada atuou como assessora pessoal no gabinete do parlamentar, ocupando a função de Assistente de Gabinete Parlamentar (APC-12). Segundo dados oficiais de fevereiro de 2024, antes de sua exoneração e subsequente promoção, seus vencimentos eram estruturados da seguinte forma:

A relação de confiança se estendia também à Câmara Municipal de Manaus (CMM). Em 8 de março de 2023, durante as festividades do Dia Internacional da Mulher, Adriana foi homenageada com um certificado entregue pela vereadora Thaysa Lippy. Na ocasião, a agora investigada fez questão de demonstrar lealdade, agradecendo publicamente com a frase: “Minha vereadora!”.

“Camuflagem Social” e conexões midiáticas

Para despistar as autoridades, a polícia aponta que Adriana utilizava uma sofisticada “camuflagem social”, que envolvia trânsito livre em eventos de alto nível e prestígio acadêmico. Doutora e mestre em Direito e Gestão Ambiental pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ela usufruía de forte exposição midiática, frequentemente promovida pela Revista Cenarium, dirigida por sua amiga, a jornalista Paula Litaiff.

A relação pública entre as duas atingiu seu ápice em novembro de 2025, durante a COP30 em Belém, quando Adriana participou de um episódio do Podcast Cenarium. Em conversa com Litaiff, a ex-secretária discorreu sobre o protagonismo dos povos amazônicos no mercado de carbono, mascarando sua suposta atuação como operadora financeira de uma facção criminosa.

Operação Erga Omnes: A teia do CV no Poder Público

A prisão de Adriana é um dos desdobramentos da Operação Erga Omnes, conduzida pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que mira a organização liderada por Allan Kleber Bezerra Lima. O grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 73 milhões entre 2018 e 2025, oriundos do tráfico internacional de drogas, lavando o capital em empresas de fachada de transporte e logística.

As investigações desnudaram não apenas a audácia de Allan Kleber — que utilizava uma igreja evangélica no bairro Zumbi como fachada e esconderijo logístico — mas também a grave infiltração do crime em várias esferas governamentais. Além da ex-chefe de gabinete da ALEAM, outros agentes públicos estão na mira da Justiça:

Anabela Cardoso Freitas: Suspeita de movimentar cerca de R$ 1,5 milhão para a facção.

Izaldir Moreno Barros: Servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), acusado de vazar informações sigilosas.

Osimar Vieira Nascimento: Policial militar suspeito de dar suporte ao núcleo político investigado.

A Justiça já deferiu mandados de prisão preventiva, quebra de sigilo bancário e fiscal, e o sequestro de bens dos envolvidos para garantir o ressarcimento aos cofres públicos. Enquanto Adriana Almeida e outros alvos estão detidos, o líder da facção, Allan Kleber, segue foragido após escapar de um cerco policial em São Paulo.


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