Grávida é queimada viva após ser acusada de roubar chinelo; veja vídeo
Brasil – Uma tragédia chocante abalou a cidade de Itapevi, na Grande São Paulo, no início de janeiro de 2026. Kaline Kelly de Oliveira Silva, de 28 anos, mãe de duas filhas e grávida de três meses, foi brutalmente agredida e queimada viva após ser acusada de furtar um par de chinelos usados. Ela sofreu queimaduras em mais de 70% do corpo e, apesar de ter sido socorrida, não resistiu aos ferimentos, morrendo horas depois no hospital.
O crime ocorreu na última seguda-feira (5/1) em um terreno abandonado no bairro Jardim Portela, área conhecida por abrigar usuários de drogas e que se transformou em uma espécie de ponto de consumo de entorpecentes. De acordo com testemunhas ouvidas pelo SBT de Itapevi, Kaline foi perseguida por três pessoas que a acusaram do furto em uma residência próxima. Ela foi espancada severamente e, ao tentar se esconder no local, teve gasolina ou álcool jogado sobre o corpo e foi incendiada. Enquanto corria em chamas pela mata ao redor, gritava que estava grávida, mas os agressores teriam ignorado os apelos e até ordenado que a deixassem morrer.
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Kaline foi encontrada em estado gravíssimo na Avenida Leda Pantalena na tarde de 5 de janeiro. Equipes do Samu e dos Bombeiros a encaminharam ao Hospital Geral de Itapevi, onde lutou pela vida até a manhã do dia 6, quando sua morte foi confirmada. Além dela, o bebê que carregava no ventre também perdeu a vida.
A história de Kaline reflete uma trajetória marcada por vulnerabilidade e perda. Criada pela avó e pelas tias, ela trabalhava em uma loja de imóveis da família até a morte da avó, há cerca de dez meses, evento que desencadeou sua luta contra a dependência química. Apesar de herdar bens, incluindo uma casa, Kaline passou a viver parte do tempo nas ruas, onde buscava se “anestesiar” da dor. Mesmo assim, mantinha contato com as filhas, de 8 e 14 anos, e era descrita pelos familiares como uma pessoa sem maldade, sempre sorridente e de coração generoso.
“Era um bebezão de tudo. Não tinha maldade no coração, sempre sorrindo”, relatou uma tia, que a tratava como filha. Outra familiar desabafou: “O que é um chinelo, gente? A gente poderia ter resolvido de outra forma. Queimar vivo um ser humano… Minha alma chora por ela ser um ser humano e não precisar disso”. A família enfatiza que não há comprovação concreta do furto e clama por justiça, rejeitando veementemente a ideia de “justiça com as próprias mãos”.
O caso foi registrado como morte suspeita na Delegacia de Itapevi, e a Polícia Civil investiga as circunstâncias. Até o momento, não há informações sobre identificação formal ou prisão dos suspeitos. O corpo de Kaline passou por exames no Instituto Médico Legal, e o velório ocorreu com caixão fechado, dada a gravidade das lesões.
Essa barbárie expõe não apenas a crueldade desproporcional de uma punição por um suposto delito menor, mas também as fragilidades sociais que afetam pessoas em situação de rua e dependentes químicos. Em um país onde linchamentos ainda ocorrem, o episódio reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas para tratamento de dependência, proteção às vulneráveis e combate à violência privada. A família de Kaline pede apenas justiça: que os responsáveis sejam punidos pela lei, não pela impunidade.


