“Golpista não, solteira!”: foragida por esquema de R$ 75 milhões ostenta luxo na Inglaterra e entra na mira da Interpol; veja vídeo
Manaus – “Muito cuidado, mulher. O golpe tá aí, cai quem quer”. A frase, dublada em um vídeo publicado nas redes sociais por Emanuelle Rosa Ramos dos Santos, ganhou contornos literais e irônicos nas últimas horas. Apontada como uma das integrantes do núcleo operacional de um esquema de pirâmide financeira que movimentou cerca de R$ 75 milhões, Emanuelle é hoje uma foragida internacional.
Enquanto a Polícia Civil deflagrava a Operação Negócio Turvo para desmantelar a organização criminosa por trás da empresa Virtus Financeiros, a investigada exibia sua rotina do outro lado do Atlântico. Em uma série de publicações recentes, Emanuelle compartilha seu dia a dia em Manchester e Sheffield, na Inglaterra, mostrando passeios na neve, cafés da manhã, recebimento de flores e idas a estádios de futebol.
Em um dos registros, ela chega a brincar com sua nova realidade: “Nem um pouco [frio], eu sou europeia! Eu nasci pra viver isso aqui”, diz, antes de retificar em tom de deboche: “Gente, eu menti. Não sou europeia. Sou brasileira, não dá”. Em outro vídeo, ao dublar um áudio viral, dispara a frase que agora ecoa entre as vítimas do esquema: “Golpista não, solteira”.
A postura real investigada pelas autoridades, no entanto, é de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
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O Esquema da Virtus Financeiros
Segundo as investigações da Polícia Civil, Emanuelle fazia parte de uma engrenagem bem estruturada que migrou da empresa Lotus (alvo de operações anteriores) para a Virtus Financeiros. O grupo criminoso era dividido em três núcleos: diretivo, lavagem de dinheiro e o núcleo executor (operacional), do qual a foragida fazia parte ao lado de outras três mulheres.
O modus operandi da quadrilha era predatório e focado no endividamento direto das vítimas. Consultores da empresa entravam em contato com alvos potenciais, utilizando casos de “sucesso” de conhecidos para gerar falsa confiança. O golpe operava da seguinte forma:
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Acompanhamento ao banco: Membros do esquema iam fisicamente com as vítimas até as agências bancárias.
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Endividamento: As vítimas eram convencidas a contrair empréstimos consignados vultosos, utilizar todo o limite do cheque especial ou resgatar o dinheiro de poupanças.
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Falsa Legalidade: Para mascarar a fraude, a Virtus gerava um “contrato de cessão de crédito”. Assim que o dinheiro do empréstimo caía, a vítima era instruída a transferi-lo para as contas da organização.
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O Colapso: Como em toda pirâmide, a empresa pagava as parcelas iniciais com o dinheiro de novos “investidores” para manter a ilusão de legalidade. Quando a captação de novas vítimas secou, o esquema ruiu, deixando dezenas de pessoas com dívidas bancárias impagáveis.
Apenas na lista de um dos consultores investigados, a polícia identificou cerca de 100 vítimas, somando um prejuízo estimado em R$ 3 milhões.
Cerco Fechado e Acionamento da Interpol
A Operação Negócio Turvo cumpriu mandados de busca e apreensão em 12 alvos e nove domicílios, estendendo-se até o estado do Rio de Janeiro. Ao todo, oito pessoas foram presas preventivamente e 32 veículos de luxo (28 carros e quatro motocicletas) foram apreendidos.
O dinheiro arrecadado com os golpes não ficava parado nas contas da Virtus. O núcleo de lavagem de dinheiro transformava o montante ilícito em bens de alto valor rapidamente, fazendo com que o capital entrasse como crédito e saísse imediatamente como débito.
Com Emanuelle Rosa vivendo abertamente no Reino Unido e exibindo sua rotina nas redes sociais, as autoridades brasileiras confirmaram que os trâmites internacionais estão em andamento. Devido à gravidade dos crimes financeiros e ao envolvimento com organização criminosa, a Interpol deverá ser acionada para garantir a captura e extradição da investigada.
Enquanto a polícia busca os três foragidos restantes, a orientação é para que as vítimas que firmaram contratos com a Virtus Financeiros procurem as delegacias para formalizar as denúncias, fortalecendo o inquérito que já acumula dezenas de boletins de ocorrência.


