Falsa biomédica é presa de novo em Manaus e minimiza necrose em cliente: “Ela denuncia porque o resultado não agrada”; vídeo

Manaus – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) prendeu novamente, na manhã desta quinta-feira (2/7), Hozana Carneiro Ximenes. Formada em Matemática, ela é acusada de se passar por biomédica para realizar procedimentos estéticos clandestinos. No entanto, agora ela afirma ter se formado como biomédica em 2020. A nova prisão ocorreu em uma clínica no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus, após o surgimento de novas vítimas que relataram graves complicações e deformidades.
Mesmo com um histórico alarmante que inclui pacientes com necrose, Hozana minimizou as acusações e tentou justificar as denúncias afirmando que os problemas ocorrem porque “o resultado não agrada” ou devido a conflitos profissionais.
A Nova Operação e a Versão da Suspeita
A ação desta quinta-feira cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela Justiça. De acordo com o delegado Mauro Duarte, responsável pelas investigações, novas vítimas procuraram as autoridades após a repercussão do primeiro caso, relatando que ficaram com deformidades e precisaram passar por procedimentos médicos reparadores.
Encaminhada ao 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Hozana contestou a prisão, classificando-a como injusta. A investigada alegou possuir a documentação necessária para atuar na área estética, embora o Conselho Regional de Biomedicina da 4ª Região (CRBM-4) já tenha confirmado a ausência de seu registro profissional.
“Eu tenho toda a formação e toda a documentação. Dessa vez eu não vou ficar calada. Estou sendo presa sem saber o motivo. Tenho minhas carteirinhas, minha clínica é registrada e vou buscar todos os meios legais para provar minha inocência”, declarou Hozana.
Histórico de Sequelas e Traumas
O discurso de inocência da investigada contrasta drasticamente com os resultados de suas intervenções. Em 2022, Hozana ganhou repercussão estadual quando foi presa pela primeira vez — caso que já lhe rendeu uma condenação a mais de sete anos de prisão.
Os relatos das pacientes atendidas por ela são graves:
Necrose após uso de PMMA: Uma vítima que buscava afilar o nariz relatou que, três dias após a intervenção, a área começou a necrosar, expelindo sangue e pus. A falsa biomédica utilizou polimetilmetacrilato (PMMA), uma substância plástica de alto risco quando usada em grandes volumes. O procedimento deixou uma cicatriz definitiva no rosto da paciente.
Mal-estar durante bioplastia: Outra cliente relatou ter passado mal enquanto recebia injeções nos seios. Ela descreveu sintomas como língua pesada e boca seca, precisando implorar para que o procedimento fosse interrompido.
Convulsões e paradas cardíacas: Uma ex-sócia do estabelecimento, que entrou no negócio acreditando nas credenciais da investigada, desfez a parceria após presenciar cenas de emergência médica grave na clínica. Ela relatou ter visto clientes convulsionando e sofrendo paradas cardíacas no local.
Situação Legal
Com o avanço das novas denúncias, o caso de Hozana Carneiro Ximenes se agrava. Ela, que mudava de endereço constantemente para tentar despistar as autoridades, já responde judicialmente por uma série de crimes, incluindo falsidade ideológica, exercício ilegal da profissão, lesão corporal e estelionato. As investigações continuam para apurar a extensão dos danos causados às novas vítimas.


