Brasília Amapá Roraima Ceará Pará |
Manaus
29º
Web Stories Streamline Icon: https://streamlinehq.com CM7 Shorts
Brasília Amapá Roraima Ceará Pará CM7 Play

Falsa advogada que iria delatar esquema do CV no AM e morreu após passar mal em prisão no Piauí, tinha medo de ser envenada

Compartilhe
Falsa advogada que iria delatar esquema do CV no AM e morreu após passar mal em prisão no Piauí, tinha medo de ser envenada

Amazonas – A falsa advogada Lucila Meireles Costa, de 42 anos, apontada como informante do Comando Vermelho no Amazonas, faleceu na última sexta-feira (22) em Teresina, no Piauí. A suspeita, que possuía forte trânsito no meio político amazonense, morreu em meio a tratativas para firmar um acordo de delação premiada com a Justiça. Ela estava presa desde o dia 21 de fevereiro de 2026, como desdobramento da Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas, e encontrava-se sob custódia na Penitenciária Feminina Gardênia Gomes Lima Amorim.

O óbito ocorreu após um agravamento severo de seu quadro clínico, que vinha apresentando piora progressiva desde a sua entrada na unidade. De acordo com a Secretaria de Justiça do Piauí (Sejus-PI), Lucila foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e, posteriormente, precisou ser conduzida no dia 19 de maio para uma Unidade Hospitalar da rede pública aguardando regulação. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) atestou que a causa da morte está associada a problemas de saúde pré-existentes. Documentos da própria penitenciária confirmam que ela era portadora de doenças crônicas como Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus, fazendo uso contínuo de diversos medicamentos, incluindo Metformina, Hidroclorotiazida e Losartana.

Dias antes da morte, a gerência da penitenciária encaminhou um ofício à Defensoria Pública do Amazonas relatando a gravidade do caso. O documento, assinado pela gerente Livya Mara Martins Brasil, alertava que Lucila desenvolveu um quadro psiquiátrico grave, caracterizado por discurso prolixo, pensamentos confusos, delírios persecutórios e alucinações. A detenta relatava que pessoas tentariam matá-la e acreditava que sua comida estava envenenada, o que a levou a recusar totalmente a alimentação e a ingestão de líquidos, resultando em uma perda de peso expressiva, estimada entre 30 e 35 quilos em um curto período. Ela estava em acompanhamento sob a hipótese diagnóstica de Esquizofrenia Paranoide, medicada com Risperidona e Levozine. A própria direção do presídio admitiu formalmente que o local não dispunha de estrutura ou recursos técnicos para garantir o cuidado multiprofissional intensivo que a interna exigia.

A morte de Lucila ocorre em um momento crítico das investigações, já que havia tratativas em andamento para que ela colaborasse com as autoridades. O interesse em seu depoimento residia em seu vasto acesso aos bastidores do poder no Amazonas. Ao longo de sua trajetória, ela atuou como assessora de diversos nomes conhecidos da política local, com passagens pelos gabinetes do vereador Rodrigo Guedes, do ex-vereador Isaac Tayah, do deputado estadual Bi Garcia e do falecido ex-deputado Arthur Bisneto. O advogado que havia sido procurado para conduzir o acordo de delação, contudo, ainda não havia assumido o caso oficialmente.

Detida no centro de Teresina, a suspeita era acusada de se passar por advogada para acessar processos confidenciais da Justiça amazonense, corrompendo servidores públicos para repassar dados sigilosos ao Comando Vermelho. Na ocasião da prisão, a polícia apreendeu aparelhos eletrônicos, anotações, documentos e um token de acesso ao sistema judicial pertencente a uma advogada regularmente inscrita na OAB-AM, o qual era utilizado de forma ilegal pela investigada. A Operação Erga Omnes investiga crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, apontando ainda a existência de um suposto “núcleo político” da facção criminosa. Após a confirmação da morte da detenta, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionado para cumprir os protocolos legais, e a Secretaria de Justiça do Piauí informou que prestou assistência aos familiares da investigada.


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões Abaixo do Post

Banner 1 - Portal CM7


Carregar mais