Exclusivo: dono de fábrica de café em Manaus é acusado de pagar policiais para perseguir a ex: “só vai sair com a minha permissão”
Manaus — Uma grave denúncia de violência doméstica, abuso de poder econômico e possível corrupção de agentes públicos ganha contornos ainda mais graves na capital amazonense. Uma ex-companheira acusou nesta segunda-feira (12/1) um influente empresário do ramo alimentício, proprietário de uma conhecida fábrica de café na região, de utilizar sua fortuna e suposta influência para persegui-la, controlá-la e intimidá-la mesmo após o fim do relacionamento.
Segundo o relato da vítima, o empresário — descrito como figura de altíssimo poder econômico e também apontado como agiota — estaria financiando e direcionando ações ilegais contra ela, incluindo o pagamento de policiais para monitorar seus deslocamentos, acompanhá-la e criar um ambiente contínuo de medo e constrangimento.
Entre as provas apresentadas pela denunciante estão fotos, vídeos, áudios, mensagens de WhatsApp, registros oficiais e testemunhos. Um dos registros mais chocantes é um áudio em que o homem declara de forma categórica:
“Só vai sair com a minha permissão a partir de agora e se eu deixar, e fim de história.”
Capturas de tela de conversas no WhatsApp mostram o tom controlador e ameaçador, com frases como:
– “Só vai pra qualquer lugar se eu autorizar”
– “Passaram a existir” (referindo-se às regras impostas por ele)
A vítima responde afirmando que não é menor de idade e que não precisa de autorização, mas o empresário mantém a postura autoritária.
A denúncia não se limita ao controle psicológico. A ex-companheira afirma que o empresário já possui histórico de violência grave, incluindo agressões físicas reiteradas e uma condenação judicial anterior por tortura e cárcere privado. Nesse processo antigo, segundo ela, dois policiais da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) teriam participado diretamente dos atos criminosos ao lado do empresário.
A mulher alega ainda possuir registros audiovisuais que mostram policiais frequentando a chácara do empresário, inclusive durante uma festa realizada no dia 27 de dezembro de 2025, o que indicaria uma relação de proximidade e possível favorecimento indevido.
A vítima decidiu romper o silêncio
A ex-companheira informou à reportagem que abriu todo o caso e está disposta a revelar, em detalhes, o sofrimento que enfrentou durante o relacionamento e após o término. Ela pretende expor publicamente as agressões físicas e psicológicas que sofreu, incluindo episódios de violência explícita, ameaças constantes e o clima de terror mantido pelo empresário mesmo depois da separação.
Posicionamento do acusado
Até o fechamento desta matéria, o empresário não atendeu às diversas tentativas de contato feitas pela reportagem, seja por telefone, WhatsApp ou através de intermediários. O espaço para manifestação permanece aberto.
A reportagem segue acompanhando o caso. Qualquer pessoa que sofra ou tenha sofrido violência doméstica pode buscar ajuda imediata pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 (gratuito e sigiloso) ou diretamente na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) em Manaus:(92) 3582-8041.



